domingo, 7 de agosto de 2011

2.OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO


SIGNO DE PEIXES

O signo de Peixes constela a dissolução e o renascimento. A substância retorna à essência. É o final do ciclo, o último signo do Zodíaco. Signo pertencente ao elemento Água, de modalidade Mutável, regido por Netuno e co-regido por Júpiter. Em Peixes temos a ânsia pelo divino, o sonho e a realidade, o caos e a criatividade convivendo lado a lado. Os seus mitos trazem temas como a covardia diante da vida, a fuga da realidade, o choque entre o humano e o divino. Sua natureza é passional e emotiva. Impressionável, Peixes reage a cada estímulo e ama todo risco porque se sente atraído por metas distantes. Experiências místicas, vive o tema da vítima, do redentor e do algoz. Muitas vezes prevalece os valores espirituais e morais, bem como o fundo religioso. Em outras, temos os neuróticos, os evasivos, os sonhadores que se comprazem em viver um mundo permeado de ilusões, bem como os artistas..

1. Dioniso

Dioniso era o deus da metamorfose, do êxtase e do entusiasmo. O seu nascimento, ao contrário de outros deuses, foi complicadíssimo como o dos piscianos. Filho de Zeus e Perséfone e o preferido pelo deus dos deuses, Dioniso foi raptado, cozido e comido pelos titãs, sob mando de Hera; ao saber disso, Zeus fulminou-os com um raio e entregou seu jovem coração a Sêmele, uma princesa tebana, que o engoliu e “engravidou”.

Hera ao saber do ocorrido incitou Sêmele a pedir a Zeus que aparecesse com toda a sua pompa, com o que a princesa, simples mortal, não resistiu ao fulgor divino e pereceu queimada; imediatamente Zeus retirou do corpo de Sêmele o pequeno Dioniso e o colocou na sua própria coxa, onde o feto permaneceu até o fim da gestação. Após o nascimento, entregou-o a Hermes para que este o escondesse da ira divina de Hera que continuou a perseguir Dioniso mesmo depois de adulto.

Num dos episódios, Dioniso é travestido de menina para escapar à ira de Hera! Patronesse dos casamentos, ela era inimiga mortal do deus dos “desregramentos”, que por força do seu nascimento tornou-se andrógino por excelência. Os ritos do deus permitiam a experiência religiosa pura, independentemente do culto realizado ou do deus cultuado e punha em risco todo um universo de valores.(1)

Aspectos Psicológicos do mito:

- Necessidade de experiências religiosas obtida em momentos de êxtase;
- Personalidade rebaixada até que o Todo entre em contato com o Ser individual através de estados diferenciados de consciência;
- Irresistível inclinação ao uso de bebidas e drogas ou outros artifícios por aqueles que tem necessidade nuclear de uma participação mística ou sensação de união instintiva e espiritual ao mesmo tempo com a Vida;
- O culto dionisíaco simboliza a emersão para a consciência das forças obscuras que povoam o inconsciente, através das bebidas, das drogas, da música, do canto, da dança e da loucura;
- O deus punia com o desmembramento, a loucura e a insanidade quem não o idolatrasse;
- Viver uma efetiva espiritualidade ou entregar-se a rituais orgíacos destrutivos; parece estar presente na psique profunda do pisciano;
- Sensibilidade artística e empatia com o estado emocional de outrem (mediunidade); Necessidade de resolver o equilíbrio entre sentimentos pessoais e participar ativamente do grupo ou do coletivo;
- O equilíbrio deve ser atingido pelo autoconhecimento sob pena de comprometer a psique, principalmente do pisciniano; [Freitas, Luiz C. Teixeira de; O simbolismo astrológico e a psique humana; Ed. Pensamento]
2. OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO


SIGNO DE AQUÁRIO

Neste signo o homem perde a identidade pessoal para fundir-se no bem comum, embora conservando a autoconsciência. O Sol está em seu exílio .Temos aqui o espírito renovador e ao mesmo tempo um conservadorismo que se expressa por idéias fixas. Aquário é um signo de Ar, de modalidade Fixa, regido por Urano e co-regido por Saturno. É afável, amigável e fraterno e ao mesmo tempo frio e distante. Pode ser fanático, propenso a “fazer a cabeça” dos outros e empunhar bandeiras. O significado maior de Aquário é o espírito de fraternidade universal. Idealista, original, criativo, excêntrico, radical e individualista, embora restrinja o pessoal em função do coletivo. As histórias mitológicas que esclarecem os seus arquétipos giram em torno do problema da libertação do homem do peso do destino. Urano está associado à eletricidade e ao choque.

1. Prometeu

Filho do titã Iapeto e da oceânide Climene (também de Urano), Prometeu era primo de Zeus tanto por parte do pai quanto da mãe. Possuía o dom da profecia, ao contrário de seu irmão Epimeteu, cujo nome significa em grego “aquele que só vê depois do acontecido”. Desde sempre entregue a lutar pela humanidade, Prometeu certa vez “tapeou” Zeus: dividindo um boi em duas metades, encheu uma bolsa enorme apenas com ossos e gordura e a outra, menor, com as carnes e as vísceras; pediu a Zeus que escolhesse uma para os deuses, pois a outra seria ofertada aos homens. O maior deus olímpico escolheu a primeira e, sentindo-se enganado, privou a humanidade do fogo.

Essa disputa nascera do ciúme de Zeus em relação aos homens, pois Prometeu havia dado tantos segredos divinos à humanidade, que Zeus temia que, esta, algum dia confrontasse o seu poder supremo. Tendo acompanhado o parto de Palas Atena, que nascera da cabeça do próprio Zeus, Prometeu recebeu dela as artes da navegação, da arquitetura, da astronomia, da matemática, da metalurgia e mais uma infinidade de conhecimentos úteis, passando-os, em seguida, aos homens. O que parece ser, um dos mais fortes impulsos aquarianos: dividir com o grupo os conhecimentos avançados de tecnologia e estética que desenvolve, e pela descoberta dos quais norteia sua vida.

Prometeu, condoído da humanidade após o castigo de Zeus, com a ajuda de Palas Atena roubou uma centelha do fogo divino do carro do deus-sol, Apolo, trazendo-a a terra e “reanimando os homens”. Irritado Zeus resolveu punir como exemplo, os homens e Prometeu. Contra este, impôs um suplício eterno: acorrentou-o a uma montanha e ordenou a uma águia (ou abutre) que diariamente lhe comesse o fígado, o qual renascia novamente no dia seguinte _ apenas para dar início a um novo suplício. E contra a humanidade Zeus foi mais artificioso: pediu a seu filho Hefaístos que criasse Pandora, uma mulher muito bela, ordenou aos outros deuses que a dotassem dos maiores encantos e a enviou a Epimeteu como “presente divino”.

Este, embora tivesse sido alertado por Prometeu para que nunca aceitasse nenhum presente de Zeus, esqueceu-se do aviso e transformou Pandora em sua mulher. Um dia, Pandora abriu uma caixinha que Zeus lhe ofertara como presente de núpcias e imediatamente saíram dessa caixa todos os problemas que desde então ameaça o ser humano - Envelhecimento, Trabalho, Doença, Insanidade, Vício e Paixão, ficando presa ali apenas a Esperança.(1)









Aspectos psicológicos do Mito

- Prometeu, titã que sempre se dedicava ao bem-estar e desenvolvimento da humanidade;
- Zeus insurgia-se contra a possibilidade humana de libertação total através dos conhecimentos ofertados por Prometeu;
- Com freqüência o aquariano se envolve com iniciativas de esclarecimento público ou divulgação do conhecimento;
- O aquariano é sempre acometido de dúvidas profundas sobre si mesmo e sua capacidade de mobilização da vontade necessária para a divulgação de seus planos, a despeito do seu altruísmo e criatividade conceitual;
- A psique tem componentes que lutam por impedir a consciência de ampliar seu campo de atuação, gerando internamente culpas e sensações de “pecado” a cada movimento de libertação e individuação;
- Intensa necessidade de não se sentir egoísta e grande rigidez nas manifestações entre “eu quero” e “eu devo”;
- Criança cujo pai tem padrões incomuns (para a família ou vizinhança) como política, religião ou filosofia;
- O Aquariano desde cedo se atira à tarefa de crescer pela mente para obter aprovação paterna;
- Ao mesmo tempo percebe uma nítida diferenciação entre ela e outros familiares ou amigos criando um profundo sentimento de isolamento e dificuldade de lidar com as próprias emoções desenvolvendo a impessoalidade para vencer esta dificuldade;
- Procura de grupos pelos quais possa fazer alguma coisa;
- Muita dificuldade em relações pessoais mais íntimas com o sexo oposto;
- Desenvolvimento do núcleo feminino fica comprometido;

2 - Ganimedes

Ganimedes era um adolescente muito bonito, filho do rei Trós e de Calírroe. Pastor do rebanho de seu pai nas montanhas de Tróia, foi raptado pela águia de Zeus e levado ao Olimpo; lá passou a servir aos deuses o néctar - que juntamente com a ambrosia dava-lhes imortalidade - em substituição a Hebe, que se casara com Hércules: Zeus por ele se apaixonara e passou a ter com o rapaz uma relação homossexual explícita, transformando-o depois na constelação do Aguadeiro.
Na cultura grega a sensualidade não era apenas confinada apenas a heterossexualidade. Era considerada normal entre os deuses e os homens.
Este mito trazia uma justificativa divina para a atração física entre homens maduros e rapazes, dando permissão para a prática da pederastia.

Aspectos psicológicos do Mito

- “Robert Graves (mitólogo norte-americano) relaciona o mito com o repúdio do feminino e à redução do seu poder”;
- A imagem da homossexualidade no mito pode sugerir, entre outras coisas, um mundo exclusivamente masculino, onde o feminino e o plano instintivo da vida não entrem;
- Uma união onde nada mais cresça senão o espírito e a mente;
- A necessidade de exclusão do feminino para o fortalecimento do masculino é arquetípica, o que pode ser visto no costume tribal de separar meninos púberes de suas mães, formando grupos exclusivamente masculinos;
- Muita dificuldade em relações pessoais mais íntimas com o sexo oposto;
- Desenvolvimento do núcleo feminino fica comprometido.
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SIGNO DE CAPRICÓRNIO

Transformar o que até aqui foi acumulado em algo palpável no mundo material é o desafio de Capricórnio. Indica o meio-dia solar do homem. Signo de Terra, de modalidade Cardeal, regido por Saturno. Tenacidade, decisão, sentido da ordem e hábitos sóbrios, Capricórnio traz a marca da contenção, do limite e da cristalização da forma. Luta pelo sucesso mundano, pelo reconhecimento e pelo status. Há uma tendência à ação, ao comando, à disciplina férrea, bem como a assumir responsabilidades. Frieza e distanciamento são usados como uma couraça defensiva que escondem a profunda necessidade de afeto, ao qual tem dificuldade de entregar-se. Em Capricórnio temos o arquétipo do filho rejeitado, o medo do abandono e a solidão interior.



1. Cronos

Depois de ter sido abatido e derrotado por seu filho Zeus, Cronos foi aprisionado no Tártaro, região subterrânea muito abaixo do próprio Reino de Hades. Algum tempo depois, quando Zeus já tinha consolidado seu poder, libertou o próprio pai e o enviou para a ilha dos Bem-Aventurados, nos confins do mundo, onde Cronos passou a reinar sobre os heróis, que nunca morriam. Era uma recuperação da Idade do Ouro na Terra, à qual Cronos parece estar ligado.

Essa fora uma época de fartura e abundância, como a mitologia romana registrou: no reino de Saturno, a Terra produzia uma abundância, não havia guerras ou discórdias, e a escravidão e a propriedade eram desconhecidas, pois todos os homens tinham as coisas em comum. Saturno fora, assim, aquele que ensinou a paz, a justiça, a cultura da terra, a fraternidade e a liberdade, bem como a delegação responsável de poderes dentro da comunidade. E exatamente por isso, na Roma antiga, comemoravam-se todos os anos, na segunda quinzena de dezembro, as Saturnais, festas nas quais havia total liberdade e todas as regras rígidas de moral e convívio social eram abolidas; os escravos deixavam de sê-lo por alguns dias, as normas que regiam o convívio sexual eram abolidas, os horários relaxados e o trabalho deixava de ser cumprido.

Ao fim das Saturnais, o jovem escolhido para reinar como rei Saturno era sacrificado no altar do deus – ou se sacrificava espontaneamente, em ato suicida _, como símbolo do fim da liberdade absoluta de entregar-se a todos os prazeres sem limite algum.


Aspectos Psicológicos do Mito:

- Coube a Cronos o papel de consolidador do já criado: sem sua atuação nada tomaria forma definitiva, discriminada e duradoura;
- Daí seu aspecto limitador, rígido e punitivo contra os que se insurgissem contra os dados da realidade material da vida;
- Depois do sacrifício de Cronos a vida retorna com mais liberdade, porém mais organizada e produtiva;
- Forte inclinação à luxúria e à lascívia, alémde incrível fertilidade e superego voltado às “realizações”;
- Movimento duplo de dentregar-se aos prazeres e se culpar por isso;
- A criança cresce numa casa onde o pai é respeitado, porém sem se envolver com a estrutura familiar; as decisões são tomadas pela mãe, tradicional, que transmite ao filho a necessidade do poder e a capacidade de liderança, incitando-o a desenvolver fortes práticas de controle;
- Núcleo em que convive o “eterno jovem”e o “velho ancião”;
- São comuns na vida do capricorniano prazos mais longos de amadurecimento pessoal;
- ”aprisionamento”, “servidão” e até mesmo “crucifixão” estão presentes, ao menos em sua vida interior e em seus sonhos e fantasias inconscientes, motivo pelo qual ele mesmo cria sua própria prisão, atraindo-a ou “lançando-se” para ela;

- A busca do confronto com limites rígidos seja com o próprio superego, com uma figura exterior de autoridade ou ainda com um parceiro restritivo (fazem parte do processo ritual do seu autoconhecimento).
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SIGNO DE SAGITÁRIO

Neste signo a energia atinge a síntese e se arroja para o alto. Sagitário projeta para um fim aquilo que Escorpião acumulou e transformou. O fogo sagitariano exprime o emergir do fogo interior, chama divina do espírito, enquanto se extingue o fogo da matéria. Signo de Fogo, de modalidade mutável, regido por Júpiter, Sagitário necessita de um significado maior para a vida. Estão ligados a ele as viagens ao exterior, a filosofia, as universidades, a Justiça e a religião. Encontramos neste signo tanto o tipo aventureiro, otimista e juvenil como aqueles atraídos pela vida interior, voltados para experiências eclesiásticas e para a realização do “eu”. Por outro lado também surge o fanático, o conformista, temeroso das novidades e amante da ordem constituída.


1. Zeus

Cronos (o tempo) substituiu Urano (o céu) e assumiu o trono divino. Porém converteu-se num déspota pior do que o pai. Temendo ser deposto, foi devorando um a um os filhos que teria de Réia, sua irmã e esposa - até que nasceu Zeus! Réia envolveu uma pedra em panos e entregou-a a Cronos, que a engoliu como se fosse o filho recém-nascido, deixando o menino aos cuidados da "cabra" Amaltéia, provavelmente uma ninfa, na ilha de Creta, no monte Ida.

Dessa ilha, Zeus (Júpiter), depois de crescido, iniciou a longa batalha para tomar o poder supremo das mãos de Cronos. Inicialmente, aconselhado por Métis, a Prudência, deu-lhe uma droga que o fez vomitar todos os irmãos algum dia engolidos: Hades, Posêidon, Hera, Deméter e Héstia. A seguir, apoiado pelos irmãos, derrotou Cronos depois de dez anos de batalhas sangrentas. Por fim, sorteou com seus dois irmãos a posse do reino conquistado: a Hades, coube o mundo subterrâneo, a Posêidon o mar e a Zeus o céu e a superfície terrestre.

Casado "legitimamente" com sua irmã Hera, Zeus gerou Ares(Marte, para os romanos), Hebe, Ilítia e Hefaístos; mas teve inúmeras consortes, entre deusas e mortais, quase todas seduzidas ou violentadas, gerando um sem-número de filhos e filhas.


Aspectos Psicológicos do Mito:

- Zeus só pôde desenvolver o seu poder através da iniciativa da mãe, uma indicação de que o sagitariano, seja homem ou mulher, por mais independente e macho que pareça ser, é submisso ao poder feminino;
- Via de regra, o sagitariano possui um pai "inatingível" e que somente depois de ter-se ligado "definitivamente" ao seu psiquismo feminino (interior ou projetivamente) é que ele começará a frutificar;
- Pois assim também foi com Zeus: somente casando-se com Hera é que gerou Ares, o deus da vontade e da manifestação assertiva de si mesmo;
- O casamento com Hera colocou Zeus em um permanente vínculo com o feminino;
- A cada amante de Zeus, Hera reagia com brigas, punições, reprimendas ou vinganças, mas o aceitava depois, para tudo recomeçar;
- Não é de surpreender que o sagitariano "fuja" ao "casamento", temendo ficar preso por laços e restrições mas, terminando por, cedo ou tarde, encontrar a sua "Hera";
- Hera, palavra grega que significa "guardiã" ou "conservadora", seduziu Zeus com um cinto mágico, levando-o a fazer amor em segredo sob o oceano;
- É comum uma gravidez não esperada o levar a unir-se à "sua Hera";
- A repetida má percepção sobre a real importância de sua mãe, e do seu próprio princípio feminino, termina por levá-lo a uma hipervalorização dos componentes masculinos, "um acaso do destino" porém faz a integração entre o idealismo e interesse abstrato e o realismo e o interesse concreto do cotidiano.";
- Isto é, a constante briga provocada por um casamento indissolúvel e os inúmeros casos ilícitos de amor é que mantinham Zeus ativo e cheio de vida.

2. Quíron

QUÍRON, meio homem, meio cavalo, representava assim, numa só figura, a sabedoria instintiva e natural do corpo e o acúmulo de conhecimento da Humanidade (Filho de Cronos e Filira que, surpreendidos no ato de amor, transforma-se em um garanhão e sai a galopar). Vivia numa gruta no monte Pélion, onde ensinava música, a arte da guerra e da caça, as leis e, sobretudo, a medicina. Foi um famoso educador. Possuía também o dom da profecia, mas teve um trágico desfecho quando foi ferido acidentalmente na perna (parte animal) pela flecha envenenada de Hércules. Como era imortal não podia morrer e seu sofrimento foi profundo e longo, até que Prometeu, um mortal, a pedido de Zeus, concedeu-lhe o direito de morte. Quíron ascendeu então aos céus para a constelação de sagitário, o Arqueiro.

Aspectos Psicológicos do Mito

- "... a hipertrofia do núcleo masculino excessivamente preocupado com ideais e noções de justiça costuma comprometer no sagitariano a integridade de seu núcleo feminino de emoções e sentimentos.";
- É o curador ferido que não podendo curar-se a si próprio cura os outros pelo conhecimento da causa;
- É aquele que vive projetivamente sua natureza feminina e suas emoções;
- É aquele que vive o mundo etéreo e incorpóreo dos ideais de justiça e de sabedoria, o qual se não tiver uma base na realidade material das emoções, não faz o menor sentido real.
2. OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO


SIGNO ESCORPIÃO


Em Escorpião chega-se ao esgotamento da energia em suas formas concretas a fim de transformar-se em um segundo nascimento no plano metafísico. Morrer como um “eu” isolado para renascer como “nós”. É um signo de Água, de modalidade Fixa, regido por Plutão. Os temas de Escorpião referem-se às paixões, aos instintos, à sombra, que devem vir à tona, para que o homem se purifique, regenere e renasça. Sexo, morte, violência, poder e riqueza estão relacionados com as experiências que, através do sofrimento, levarão à transformação do ser, preparando-o para a busca espiritual. A energia bem canalizada de Escorpião gera indivíduos criativos na psiquiatria, psicanálise, nas ciências investigativas ou ocultas. Consciente das forças desconhecidas que dormem nas profundezas do ser, o indivíduo não mais estará a sua mercê.


1. Órion

Filho do deus Posêidon, Órion era um gigante como aliás, outros heróis: Hércules, Teseu, Aquiles e Aristômaco, entre outros. Dado o seu imenso apetite sexual, tentou um dia violar a própria deusa Ártemis, a deusa da guerra e da caça, e virgem eterna, filha de Zeus e Leto. A deusa, para castigá-lo, mandou um escorpião gigantesco morder-lhe o calcanhar, matando-o instantaneamente. Pelo serviço prestado a Ártemis, o escorpião foi transformado em constelação e passou a simbolizar a raiva da mulher por ter sido ameaçada de estupro (acontecimento não muito raro entre as escorpianas, mesmo que nas formas mais brandas) ou, em outros casos, por ter tido sua oferta afetiva e sexual rejeitada.


Aspectos psicológicos do mito


- O escorpião simboliza os processos inconscientes da mente profunda, dedicados a manter ativas as funções corporais mais básicas de sobrevivência e reprodução;
- O confronto entre o mundo instintivo e o mundo espiritual parece ser cíclico na vida dos escorpianos.




2. Perseu e a Medusa

Perseu era filho de Zeus e Dânae; Encerrado por seu avô Acrísio numa arca de madeira junto com a mãe e largado ao mar, pois uma profecia afirmava que esse menino destronaria o velho rei, foi dar às costas da ilha Sérifo, governada pelo tirano Polidectes, encontrado e criado por Dictis, um pescador muito humilde. Cresceu e tornou-se forte e belo, nunca se afastando da mãe, guardando-a contra todas as investidas de Polidectes.

Durante um jantar na casa do rei, fez a promessa inconseqüente de trazer-lhe a cabeça da Medusa. Aproveitando-se disso, Polidectes ameaça violentar Dânae, caso a promessa não fosse cumprida.Perseu recebe ajuda de Hermes e de Palas Atena para chegar às Górgonas e descobrir o esconderijo da medusa: esse monstro tinha cobras como cabelos, presas de javali, mãos de bronze e asas de ouro, petrificando com o olhar quem dela se aproximasse.Ficara assim por obra e castigo de Palas Atena, pois quando ainda era uma linda mulher violara um templo da deusa ao deitar nele com Posêidon. E desde então escondera-se de todos.



As Górgonas eram um lugar de sombras onde nunca chegava um raio de sol. Primeiro teve que passar pelas três Gréias, entidades semidivinas e roubar-lhes o único olho e o único dente que possuiam e do qual se serviam alternadamente. Enquanto uma vigiava as outras dormiam, enquanto uma comia as outras esperavam a vez. Propondo a troca do olho e do dente conseguiu que elas lhe indicassem o caminho das Ninfas. Estas então lhe entregaram as sandálias aladas de Hermes para voar acima das Górgonas, uma bolsa mágica para guardar a cabeça decepada e o capacete de Hades para lhe dar invisibilidade. Encontrando Hermes e Palas Atena recebeu uma espada mágica para degolar a Medusa e um escudo polido capaz de refletir a imagem da mesma, a fim de ela não o olhasse diretamente, petrificando-o. Com estes apetrechos consegiu o seu intento. Do pescoço cortado da Medusa nasceu Pégaso, o cavalo alado, filho de Posêidon, incapacitado de nascer devido à raiva da mãe. Montado em Pégaso voou para o Oriente, passando pela Etiópia e se apaixonou por Andrômeda, filha do Rei, que deveria ser sacrificada para que outro monstro enviado por Posêidon deixasse de assolar o reino. Perseu matou o monstro com as mesmas armas que haviam derrotado a Medusa

Ao chegar a Sérifo, Perseu soube que na sua ausência Polidectes tentara violentar Dânae. Enraivecido, petrificou o rei e toda sua corte, expondo-os à cabeça cortada de Medusa. A seguir, depois de entregar o trono ao pescador mais humilde que o criara, devolveu as sandálias aladas, o alforje e o capacete de Hades a Hermes, para que os restituísse às Ninfas, suas verdadeiras guardiãs, e retornou à sua terra natal, juntamente com Andrômeda.


Aspectos psicológicos do mito


- perda emocional sofrida pela família antes do seu nascimento;
- atenção mínima necessária à sobrevivência física da criança;
- deixar de se submeter à mãe ou imitá-la, aliviando assim sua imensa raiva pela sensação de rejeição e que não consegue encarar;
- enfrentar o monstro “culpa raivosa”e “mágoa ressentida”- com inteligência e coragem e não com raiva e paixões fortes;
- Confronto entre a mãe pessoal e a mãe arquetípica: Dânae x Medusa;
- Alma interior contaminada pela raiva e amargura inconscientes da mãe, tornando-se um portador do ódio dela;
- O espelho significa a capacidade de reflexão sobre a raiva da Medusa;
- A Medusa é a imagem da escuridão interior e da destrutividade com que Escorpião tem de aprender a lutar, seja dentro de si ou no mundo exterior;

- A Medusa, por ser semidivina não pode ser eliminada ou destruída e sim transformada pela reflexão e pelo fogo: a luz da consciência;
- O cavalo alado é uma criatura terrena com o poder de ascender ao reino da espiritualidade e que jaz adormecido no seio do mais inferior;
- Com Escorpião temos a chance de libertar a energia usada para reprimir conteúdos inconscientes e utilizá-la de forma mais integrada e criativa;
- As Gréias são personificações das três Parcas, para simbolizar que o destino tinha que estar ao lado do herói.

3. Fausto

De acordo com o clássico de Goethe, fausto fez um pacto com o diabo: em troca da vida eterna, vivida como um momento de emoções “sem fim”, e do amor de Margarida, entregava sua alma a Mefistófeles; não conseguia admitir que Margarida, por quem tivera súbita paixão, o rejeitasse; mais ainda, pensava garantir dessa forma a eterna durabilidade de suas emoções, com o que negava a fluidez da própria vida.


Aspectos psicológicos do mito

- Atitude de cinismo maquiavélico que pode estar disfarçada num aparente otimismo, manifesta sua destrutividade através de eventos projetivos na vida da pessoa, que a expõem à própria Sombra;
- Suposição inconsciente de que a vida só vale à pena se “parar”, “congelada” num momento de felicidade ou de raiva, faz o escorpiano mostrar sua face possessiva e retentiva, que tantas vezes o incomoda em sua busca de afeto, busca essa vivida em momentos de forte sexualidade;
- Sua longa jornada entre a sexualidade e a espiritualidade tem como motivação o amor e é isto que o redime.
2. OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO


SIGNO DE LIBRA

Aqui a energia consciente toma consciência dos Outros e deixa para trás um modo antigo de ser indo ao encontro de uma nova forma complementar. Signo pertencente ao elemento Ar, de qualidade Cardeal, regido por Vênus, Libra busca o amor, a parceria, os relacionamentos sociais. Psicologicamente orientados para se manter no equilíbrio, longe das dificuldades, mediante o compromisso, o pacto, a norma legal. Racionaliza limitando a expressão das paixões instintivas e criativas. Indeciso, dotado de talento artístico, pode tornar-se superficial e ser atingido pelo amor ao bem-estar, gosto pelo luxo e pelos prazeres em exagero ou buscar a saída mais cômoda a fim de manter a paz a qualquer preço.



1. Palas Atena

Nascida diretamente do cérebro de Zeus, que em acesso de dores de cabeça pediu a Hefaístos que lhe abrisse o crânio com um martelo de forjaria, Palas Atena identifica-se com os atributos de deusa da inteligência, da paz, das artes e dos artistas; estrategista e apegada às soluções práticas, representa a mulher que se deixa guiar principalmente pela razão e não por arrebatamentos afetivos ou instintivos. Por isso, prefere a companhia masculina (com a qual identifica, projetivamente, seu poderoso Animus), sendo preciosa confidente e amiga íntima, a despeito de usar muitas vezes o sexo como “ato calculado”.


Aspectos psicológicos do mito

-
- Questões de moralidade, proporcionalidade, ética e julgamento;
- Experiências de deseqüilíbrio entre extremos e a violação de leis;
- Eqüílibrio entre eventos e formas próprios dos seres humanos, em sua forma social de cultura;
- Diferente de Virgem que busca o eqüilíbrio entre leis naturais e os acontecimentos da vida.

2. Páris

Páris ou Alexandre era o filho mais novo de Príamo, rei de Tróia, e da rainha HEcuba. Poucos dias antes de dar à luz, Hécuba sonhou com uma tocha incendiando Tróia, e um oráculo prognosticou que seu filho seria a ruína da cidade. Dessa forma, Príamo mandou matá-lo, mas Hécuba entregou-o a pastores que o criaram no monte Ida até a idade em que, voltando a Tróia, venceu um torneio, foi reconhecido por sua irmã Cassandra e aceito de novo por Príamo.

Nascido com o dom da profecia e elegância, foi escolhido por Zeus para decidir uma disputa entre três deusas: Afrodite, Palas Atena e Hera disputavam o título de “A Mais Bela do Olimpo” e a escolha coube a Páris, que entregaria à vencedora uma Maçã de Ouro, um Pomo das Hespérides. Páris quis se negar a servir de juiz em um páreo divino (propondo-se, como bom libriano, a dividir igualmente o prêmio entre as três), mas Hermes, por solicitação direta de Zeus, convenceu-o a fazê-lo. As deusas ofereceram-lhe vantagens (numa prática de suborno, como que a provar que não há nada de novo sob o Sol.). Hera prometeu-lhe o império da Ásia, Palas Atena ofereceu-lhe sabedoria e vitória em todos os combates de que participasse e Afrodite assegurou-lhe o amor da mulher mais bela do mundo _ a imortal Helena, irmã gêmea de Polux (...), esposa de Menelau, rei de Esparta, e pivô da Guerra de Tróia.
A oferta de Helena, mesmo sabendo-a casada, o seduziu e a vencedora do certame foi Afrodite.


Aspectos psicológicos do mito

- Necessidade de realizar um julgamento entre valores pessoais e uma escolha ética;
- Freqüentes triângulos amorosos colocam o libriano em situações de dilema e insegurança;
- Imenso medo em fazer escolhas erradas pelas conseqüências que poderão advir;
- Impulso em ter todas as coisas equilibrada. Propensão a ficar acuada entre duas alternativas seja na vida profissional ou afetiva;
- Por alguma razão a criança libriana é obrigada a apegar-se demais a ambos os pais como se fosse dela a responsabilidade de mantê-los juntos. Com a aparência e a aceitação sociais; desenvolve uma imensa raiva pelas figuras parentais (sombra) a qual terá que enfrentar a fim de fazer melhores escolhas na vida;
- O ponto forte do arquétipo libriano é a opção pelo amor, pelo qual são capazes das maiores loucuras, como desencadear uma guerra (sombra ariana);
- Tem dificuldade em enfrentar fisicamente os adversários;
- Funcionam num nível mais intelectual e seduzem mais com palavras do que com atos;
- Compreende os dois lados de uma questão e pode atuar como intermediário;
- Páris não é um guerreiro, é um pastor, é um ser pacifista.


3. Tirésias


Tirésias ao atingir a idade da iniciação pela qual passava todo jovem, subiu ao monte Citéron e viu duas serpentes em pleno ato de cruzamento. Após separá-las, matou a fêmea e foi, por isso, imediatamente transformado em mulher, permanecendo assim por sete anos. Após esse período, subindo o mesmo monte, deparou com cena idêntica; dessa vez, matou o macho e recuperou seu sexo original.



Assim, como conhecia a vida interior dos dois sexos, foi chamado por Zeus e Hera para decidir uma pendenga entre os dois deuses: “Qual sexo tem mais prazer no amor, o homem ou a mulher?”, era a questão divina. Tirésias habilmente declarou que cabia à mulher nove décimos, aparentemente dando a Hera a vitória(num claro artifício libriano); a deusa, entretanto, percebeu o estratagema, que entregava ao sexo masculino o último décimo, aquele capaz de efetivar os nove que pertencem às mulheres, e cegou Tirésias como vingança. Zeus, por recompensa, deu-lhe o dom da visão interior.


Aspectos psicológicos do mito


- O homem desse signo inclina-se poderosamente para padrões femininos de adorno, valorização afetiva e beleza;
- A mulher libriana é conhecida em geral por seu pensamento “masculino” claro, ordenado e organizador;
- “Os librianos tem de aprender a se harmonizar com sua anima ou animus antes de realizar escolhas afetivas entre valores diferentes na sua vida diária.“
2. OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO


SIGNO DE VIRGEM


Neste signo, a energia, depois de expandir-se em Leão, retorna à essência e aos limites a fim de refinar-se, purificar-se, aperfeiçoar-se pela necessidade de uma melhor autodefinição. Signo de Terra, de qualidade mutável, regido por Mercúrio. É um signo sensorial, adaptável, de inteligência voltada para o plano racional prático-analítico. Meticuloso, detalhista, nervoso, crítico e perfeccionista. Representa o aprimoramento da personalidade individual através do trabalho, serviços, humildade, atenção à vida de todo dia e ao corpo físico. O mito Deméter/Perséfone traz o conflito da emancipação dos filhos vivido com intensidade neste signo.






1. Deméter/Perséfone


Deméter, a deusa das colheitas e da fecundidade, era : filha de Cronos e Réia e essencialmente a deusa do trigo, tendo ensinado aos homens a arte de semeá-lo, colhê-lo e, com ele, fabricar o pão. Com Zeus, Deméter teve uma filha, Perséfone, a "virgem eternamente jovem".

Um dia, quando Perséfone brincava entre as ninfas e suas tias Ártemis e Palas Atena, seu tio Hades a raptou. Decidido a transformá-la em sua esposa, atraiu-a com um narciso e saindo do seu reino em uma carruagem puxada por cavalos negros, arrastou-a para o mundo subterrâneo. Perséfone gritou, Deméter correu em seu auxílio, mas ao chegar ali nada encontrou nem soube do que havia ocorrido. Por nove dias e nove noites vagou com um archote, procurando a filha, consumida em saudades. Finalmente, Hélios, deus que tudo sabia, cientificou-a do acontecido. Profundamente magoada com o sucedido, Deméter recolheu-se ao interior de um santuário, negando-se a retornar ao Olimpo e a permitir que a terra fosse fecundada.

Com isso a Terra ficou sem vegetação, as colheitas se interromperam e o equilíbrio das estações foi rompido. Zeus, intercedendo junto a Hades, solicitou-lhe que permitisse que sua esposa voltasse à superfície, pois os homens corriam o risco do desaparecimento por fome. Hades, por fim, concedeu que Perséfone passasse oito meses por ano com sua mãe, no Olimpo, ficando os outros quatro com seu marido no Reino do Mundo Subterrâneo. Conseguindo a filha de volta, Deméter retornou ao Olimpo e a terra imediatamente cobriu-se de verde.




Aspectos Psicológicos do mito

- O mito dos virginianos sempre nos remete a uma história da relação "mãe-filha", "mãe-filho", sendo que este a experimentará através de sua Anima ou de outras mulheres projetivamente;
- O virginiano nasce em um mundo amplamente dominado pela mãe, que na época vive uma fase critica em relação à própria sensualidade e corporalidade, o que é transmitido para a criança;
- Mais tarde a forte sensualidade presente nas pessoas que têm Virgem por signo solar se nega a manifestar-se.;
- Como resultado, o Virginiano se inclina profundamente à racionalização e se esquiva de viver sua sensualidade e corporalidade.
- A Vida, como Hades, se intromete e obriga o virginiano a enfrentar a experiência vital de forma mais plena. Não há aqui apenas um sentido sexual, mas a penetração da força vital percorrendo o organismo e vitalizando-o, submetendo-o a transformações constantes e necessárias para a manutenção da própria Vida.


2. Astréia

Astréia representava o princípio da Justiça e da harmonia. Essa deusa, filha de Zeus e de Têmis, vivia na Terra entre os homens difundindo os sentimentos de paz, justiça e bondade, ensinando a obediência às leis naturais. Tendo os mortais se degenerado, Astréia retirou-se para o Céu, onde foi transformada na Constelação da Virgem.




Aspectos Psicológicos do Mito

- Astréia simbolizava a ordem intrínseca da natureza;
- Sua irritação com a Humanidade é o símbolo mítico do profundo desgosto virginiano por desordem, caos e desperdício de tempo e recursos: todas as coisas tem seu lugar certo, encadeadas no tempo, em ciclos naturais de rara harmonia;
- Inclinação virginiana a ritos de Justiça e reinplantação da ordem algum dia profanada;
- Extremo criticismo a tudo aquilo que lhe parece fora do lugar ou em desarmonia.


3. Astargates-sereia

A deusa síria Astargates, em muitos aspectos semelhantes à Deméter, era simbolizada como um ser com corpo de mulher e pernas em rabo de peixe.
As sereias eram figuras míticas que se dedicavam a dois prazeres: observar-se no espelho das águas, num ritual narcíseo, e cantar para os viajantes que por elas passavam, para que estes, não conscientes dos rochedos onde as sereias se postavam, naufragassem na tentativa de amá-las.


Aspectos Psicológicos do Mito

- Em sua fase imatura, o virginiano mantém-se distante da própria capacidade de amar e de viver;
- tendo sido submetido a muitas críticas no lar materno e ao afastamento das próprias sensações corporais, a pessoa duvida de si mesma e inclina-se poderosamente a relações de "muito trabalho e pouca paga"- quer do ponto de vista profissional, quer do ponto de vista emocional-afetivo;
- O virginiano muitas vezes termina por viver o papel de Sereia, envolvida num ritual narcíseo de amor por si mesma.
- -Mas, como lembra Maria Esther Harding ao se referir à iniciação feminina nos mistérios do próprio corpo, "quando ela renuncia às suas pretensões pessoais, a energia e a libido, que a princípio tinham propósitos individualistas, fluem para um lado feminino verdadeiro;
- Dessa experiência nasce o poder de amar o outro. Antes de tal “iniciação", seu amor não é mais do que desejo;
- Ela não pode nem mesmo ver a diferença entre “eu te amo" e “eu quero que me ames" ou "quero a satisfação que podes me dar";
- Mais tarde os elementos do desejo e da possessividade terão sido abandonados, transmutados através da apreciação de que sua sexualidade e seu instinto são expressões de uma forca divina, cuja experiência tem um valor inestimável;
- Todos os virginianos são compelidos a mostrar publicamente, de forma concreta e expressiva, de quanto são capazes;
- Ao fazer isso, "matam" a Sereia que vive dentro de si mesmos, pois a realização material elimina qualquer possibilidade de perfeccionismo;
- Com o desaparecimento do narcisismo, em função da aceitação do Outro como pólo essencial para a plena realização da identidade, a possibilidade de amar se manifesta de fato - seja esse Outro quem for, como o faria a sacerdotisa da deusa, pois o núcleo mítico de Virgem não reconhece a submissão a "marido" ou "mulher" como norma ou fonte principal do encontro consigo mesmo.