2. OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO
SIGNO DE VIRGEM
Neste signo, a energia, depois de expandir-se em Leão, retorna à essência e aos limites a fim de refinar-se, purificar-se, aperfeiçoar-se pela necessidade de uma melhor autodefinição. Signo de Terra, de qualidade mutável, regido por Mercúrio. É um signo sensorial, adaptável, de inteligência voltada para o plano racional prático-analítico. Meticuloso, detalhista, nervoso, crítico e perfeccionista. Representa o aprimoramento da personalidade individual através do trabalho, serviços, humildade, atenção à vida de todo dia e ao corpo físico. O mito Deméter/Perséfone traz o conflito da emancipação dos filhos vivido com intensidade neste signo.
1. Deméter/Perséfone
Deméter, a deusa das colheitas e da fecundidade, era : filha de Cronos e Réia e essencialmente a deusa do trigo, tendo ensinado aos homens a arte de semeá-lo, colhê-lo e, com ele, fabricar o pão. Com Zeus, Deméter teve uma filha, Perséfone, a "virgem eternamente jovem".
Um dia, quando Perséfone brincava entre as ninfas e suas tias Ártemis e Palas Atena, seu tio Hades a raptou. Decidido a transformá-la em sua esposa, atraiu-a com um narciso e saindo do seu reino em uma carruagem puxada por cavalos negros, arrastou-a para o mundo subterrâneo. Perséfone gritou, Deméter correu em seu auxílio, mas ao chegar ali nada encontrou nem soube do que havia ocorrido. Por nove dias e nove noites vagou com um archote, procurando a filha, consumida em saudades. Finalmente, Hélios, deus que tudo sabia, cientificou-a do acontecido. Profundamente magoada com o sucedido, Deméter recolheu-se ao interior de um santuário, negando-se a retornar ao Olimpo e a permitir que a terra fosse fecundada.
Com isso a Terra ficou sem vegetação, as colheitas se interromperam e o equilíbrio das estações foi rompido. Zeus, intercedendo junto a Hades, solicitou-lhe que permitisse que sua esposa voltasse à superfície, pois os homens corriam o risco do desaparecimento por fome. Hades, por fim, concedeu que Perséfone passasse oito meses por ano com sua mãe, no Olimpo, ficando os outros quatro com seu marido no Reino do Mundo Subterrâneo. Conseguindo a filha de volta, Deméter retornou ao Olimpo e a terra imediatamente cobriu-se de verde.
Aspectos Psicológicos do mito
- O mito dos virginianos sempre nos remete a uma história da relação "mãe-filha", "mãe-filho", sendo que este a experimentará através de sua Anima ou de outras mulheres projetivamente;
- O virginiano nasce em um mundo amplamente dominado pela mãe, que na época vive uma fase critica em relação à própria sensualidade e corporalidade, o que é transmitido para a criança;
- Mais tarde a forte sensualidade presente nas pessoas que têm Virgem por signo solar se nega a manifestar-se.;
- Como resultado, o Virginiano se inclina profundamente à racionalização e se esquiva de viver sua sensualidade e corporalidade.
- A Vida, como Hades, se intromete e obriga o virginiano a enfrentar a experiência vital de forma mais plena. Não há aqui apenas um sentido sexual, mas a penetração da força vital percorrendo o organismo e vitalizando-o, submetendo-o a transformações constantes e necessárias para a manutenção da própria Vida.
2. Astréia
Astréia representava o princípio da Justiça e da harmonia. Essa deusa, filha de Zeus e de Têmis, vivia na Terra entre os homens difundindo os sentimentos de paz, justiça e bondade, ensinando a obediência às leis naturais. Tendo os mortais se degenerado, Astréia retirou-se para o Céu, onde foi transformada na Constelação da Virgem.
Aspectos Psicológicos do Mito
- Astréia simbolizava a ordem intrínseca da natureza;
- Sua irritação com a Humanidade é o símbolo mítico do profundo desgosto virginiano por desordem, caos e desperdício de tempo e recursos: todas as coisas tem seu lugar certo, encadeadas no tempo, em ciclos naturais de rara harmonia;
- Inclinação virginiana a ritos de Justiça e reinplantação da ordem algum dia profanada;
- Extremo criticismo a tudo aquilo que lhe parece fora do lugar ou em desarmonia.
3. Astargates-sereia
A deusa síria Astargates, em muitos aspectos semelhantes à Deméter, era simbolizada como um ser com corpo de mulher e pernas em rabo de peixe.
As sereias eram figuras míticas que se dedicavam a dois prazeres: observar-se no espelho das águas, num ritual narcíseo, e cantar para os viajantes que por elas passavam, para que estes, não conscientes dos rochedos onde as sereias se postavam, naufragassem na tentativa de amá-las.
Aspectos Psicológicos do Mito
- Em sua fase imatura, o virginiano mantém-se distante da própria capacidade de amar e de viver;
- tendo sido submetido a muitas críticas no lar materno e ao afastamento das próprias sensações corporais, a pessoa duvida de si mesma e inclina-se poderosamente a relações de "muito trabalho e pouca paga"- quer do ponto de vista profissional, quer do ponto de vista emocional-afetivo;
- O virginiano muitas vezes termina por viver o papel de Sereia, envolvida num ritual narcíseo de amor por si mesma.
- -Mas, como lembra Maria Esther Harding ao se referir à iniciação feminina nos mistérios do próprio corpo, "quando ela renuncia às suas pretensões pessoais, a energia e a libido, que a princípio tinham propósitos individualistas, fluem para um lado feminino verdadeiro;
- Dessa experiência nasce o poder de amar o outro. Antes de tal “iniciação", seu amor não é mais do que desejo;
- Ela não pode nem mesmo ver a diferença entre “eu te amo" e “eu quero que me ames" ou "quero a satisfação que podes me dar";
- Mais tarde os elementos do desejo e da possessividade terão sido abandonados, transmutados através da apreciação de que sua sexualidade e seu instinto são expressões de uma forca divina, cuja experiência tem um valor inestimável;
- Todos os virginianos são compelidos a mostrar publicamente, de forma concreta e expressiva, de quanto são capazes;
- Ao fazer isso, "matam" a Sereia que vive dentro de si mesmos, pois a realização material elimina qualquer possibilidade de perfeccionismo;
- Com o desaparecimento do narcisismo, em função da aceitação do Outro como pólo essencial para a plena realização da identidade, a possibilidade de amar se manifesta de fato - seja esse Outro quem for, como o faria a sacerdotisa da deusa, pois o núcleo mítico de Virgem não reconhece a submissão a "marido" ou "mulher" como norma ou fonte principal do encontro consigo mesmo.
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