domingo, 7 de agosto de 2011

2.OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO


SIGNO DE PEIXES

O signo de Peixes constela a dissolução e o renascimento. A substância retorna à essência. É o final do ciclo, o último signo do Zodíaco. Signo pertencente ao elemento Água, de modalidade Mutável, regido por Netuno e co-regido por Júpiter. Em Peixes temos a ânsia pelo divino, o sonho e a realidade, o caos e a criatividade convivendo lado a lado. Os seus mitos trazem temas como a covardia diante da vida, a fuga da realidade, o choque entre o humano e o divino. Sua natureza é passional e emotiva. Impressionável, Peixes reage a cada estímulo e ama todo risco porque se sente atraído por metas distantes. Experiências místicas, vive o tema da vítima, do redentor e do algoz. Muitas vezes prevalece os valores espirituais e morais, bem como o fundo religioso. Em outras, temos os neuróticos, os evasivos, os sonhadores que se comprazem em viver um mundo permeado de ilusões, bem como os artistas..

1. Dioniso

Dioniso era o deus da metamorfose, do êxtase e do entusiasmo. O seu nascimento, ao contrário de outros deuses, foi complicadíssimo como o dos piscianos. Filho de Zeus e Perséfone e o preferido pelo deus dos deuses, Dioniso foi raptado, cozido e comido pelos titãs, sob mando de Hera; ao saber disso, Zeus fulminou-os com um raio e entregou seu jovem coração a Sêmele, uma princesa tebana, que o engoliu e “engravidou”.

Hera ao saber do ocorrido incitou Sêmele a pedir a Zeus que aparecesse com toda a sua pompa, com o que a princesa, simples mortal, não resistiu ao fulgor divino e pereceu queimada; imediatamente Zeus retirou do corpo de Sêmele o pequeno Dioniso e o colocou na sua própria coxa, onde o feto permaneceu até o fim da gestação. Após o nascimento, entregou-o a Hermes para que este o escondesse da ira divina de Hera que continuou a perseguir Dioniso mesmo depois de adulto.

Num dos episódios, Dioniso é travestido de menina para escapar à ira de Hera! Patronesse dos casamentos, ela era inimiga mortal do deus dos “desregramentos”, que por força do seu nascimento tornou-se andrógino por excelência. Os ritos do deus permitiam a experiência religiosa pura, independentemente do culto realizado ou do deus cultuado e punha em risco todo um universo de valores.(1)

Aspectos Psicológicos do mito:

- Necessidade de experiências religiosas obtida em momentos de êxtase;
- Personalidade rebaixada até que o Todo entre em contato com o Ser individual através de estados diferenciados de consciência;
- Irresistível inclinação ao uso de bebidas e drogas ou outros artifícios por aqueles que tem necessidade nuclear de uma participação mística ou sensação de união instintiva e espiritual ao mesmo tempo com a Vida;
- O culto dionisíaco simboliza a emersão para a consciência das forças obscuras que povoam o inconsciente, através das bebidas, das drogas, da música, do canto, da dança e da loucura;
- O deus punia com o desmembramento, a loucura e a insanidade quem não o idolatrasse;
- Viver uma efetiva espiritualidade ou entregar-se a rituais orgíacos destrutivos; parece estar presente na psique profunda do pisciano;
- Sensibilidade artística e empatia com o estado emocional de outrem (mediunidade); Necessidade de resolver o equilíbrio entre sentimentos pessoais e participar ativamente do grupo ou do coletivo;
- O equilíbrio deve ser atingido pelo autoconhecimento sob pena de comprometer a psique, principalmente do pisciniano; [Freitas, Luiz C. Teixeira de; O simbolismo astrológico e a psique humana; Ed. Pensamento]
2. OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO


SIGNO DE AQUÁRIO

Neste signo o homem perde a identidade pessoal para fundir-se no bem comum, embora conservando a autoconsciência. O Sol está em seu exílio .Temos aqui o espírito renovador e ao mesmo tempo um conservadorismo que se expressa por idéias fixas. Aquário é um signo de Ar, de modalidade Fixa, regido por Urano e co-regido por Saturno. É afável, amigável e fraterno e ao mesmo tempo frio e distante. Pode ser fanático, propenso a “fazer a cabeça” dos outros e empunhar bandeiras. O significado maior de Aquário é o espírito de fraternidade universal. Idealista, original, criativo, excêntrico, radical e individualista, embora restrinja o pessoal em função do coletivo. As histórias mitológicas que esclarecem os seus arquétipos giram em torno do problema da libertação do homem do peso do destino. Urano está associado à eletricidade e ao choque.

1. Prometeu

Filho do titã Iapeto e da oceânide Climene (também de Urano), Prometeu era primo de Zeus tanto por parte do pai quanto da mãe. Possuía o dom da profecia, ao contrário de seu irmão Epimeteu, cujo nome significa em grego “aquele que só vê depois do acontecido”. Desde sempre entregue a lutar pela humanidade, Prometeu certa vez “tapeou” Zeus: dividindo um boi em duas metades, encheu uma bolsa enorme apenas com ossos e gordura e a outra, menor, com as carnes e as vísceras; pediu a Zeus que escolhesse uma para os deuses, pois a outra seria ofertada aos homens. O maior deus olímpico escolheu a primeira e, sentindo-se enganado, privou a humanidade do fogo.

Essa disputa nascera do ciúme de Zeus em relação aos homens, pois Prometeu havia dado tantos segredos divinos à humanidade, que Zeus temia que, esta, algum dia confrontasse o seu poder supremo. Tendo acompanhado o parto de Palas Atena, que nascera da cabeça do próprio Zeus, Prometeu recebeu dela as artes da navegação, da arquitetura, da astronomia, da matemática, da metalurgia e mais uma infinidade de conhecimentos úteis, passando-os, em seguida, aos homens. O que parece ser, um dos mais fortes impulsos aquarianos: dividir com o grupo os conhecimentos avançados de tecnologia e estética que desenvolve, e pela descoberta dos quais norteia sua vida.

Prometeu, condoído da humanidade após o castigo de Zeus, com a ajuda de Palas Atena roubou uma centelha do fogo divino do carro do deus-sol, Apolo, trazendo-a a terra e “reanimando os homens”. Irritado Zeus resolveu punir como exemplo, os homens e Prometeu. Contra este, impôs um suplício eterno: acorrentou-o a uma montanha e ordenou a uma águia (ou abutre) que diariamente lhe comesse o fígado, o qual renascia novamente no dia seguinte _ apenas para dar início a um novo suplício. E contra a humanidade Zeus foi mais artificioso: pediu a seu filho Hefaístos que criasse Pandora, uma mulher muito bela, ordenou aos outros deuses que a dotassem dos maiores encantos e a enviou a Epimeteu como “presente divino”.

Este, embora tivesse sido alertado por Prometeu para que nunca aceitasse nenhum presente de Zeus, esqueceu-se do aviso e transformou Pandora em sua mulher. Um dia, Pandora abriu uma caixinha que Zeus lhe ofertara como presente de núpcias e imediatamente saíram dessa caixa todos os problemas que desde então ameaça o ser humano - Envelhecimento, Trabalho, Doença, Insanidade, Vício e Paixão, ficando presa ali apenas a Esperança.(1)









Aspectos psicológicos do Mito

- Prometeu, titã que sempre se dedicava ao bem-estar e desenvolvimento da humanidade;
- Zeus insurgia-se contra a possibilidade humana de libertação total através dos conhecimentos ofertados por Prometeu;
- Com freqüência o aquariano se envolve com iniciativas de esclarecimento público ou divulgação do conhecimento;
- O aquariano é sempre acometido de dúvidas profundas sobre si mesmo e sua capacidade de mobilização da vontade necessária para a divulgação de seus planos, a despeito do seu altruísmo e criatividade conceitual;
- A psique tem componentes que lutam por impedir a consciência de ampliar seu campo de atuação, gerando internamente culpas e sensações de “pecado” a cada movimento de libertação e individuação;
- Intensa necessidade de não se sentir egoísta e grande rigidez nas manifestações entre “eu quero” e “eu devo”;
- Criança cujo pai tem padrões incomuns (para a família ou vizinhança) como política, religião ou filosofia;
- O Aquariano desde cedo se atira à tarefa de crescer pela mente para obter aprovação paterna;
- Ao mesmo tempo percebe uma nítida diferenciação entre ela e outros familiares ou amigos criando um profundo sentimento de isolamento e dificuldade de lidar com as próprias emoções desenvolvendo a impessoalidade para vencer esta dificuldade;
- Procura de grupos pelos quais possa fazer alguma coisa;
- Muita dificuldade em relações pessoais mais íntimas com o sexo oposto;
- Desenvolvimento do núcleo feminino fica comprometido;

2 - Ganimedes

Ganimedes era um adolescente muito bonito, filho do rei Trós e de Calírroe. Pastor do rebanho de seu pai nas montanhas de Tróia, foi raptado pela águia de Zeus e levado ao Olimpo; lá passou a servir aos deuses o néctar - que juntamente com a ambrosia dava-lhes imortalidade - em substituição a Hebe, que se casara com Hércules: Zeus por ele se apaixonara e passou a ter com o rapaz uma relação homossexual explícita, transformando-o depois na constelação do Aguadeiro.
Na cultura grega a sensualidade não era apenas confinada apenas a heterossexualidade. Era considerada normal entre os deuses e os homens.
Este mito trazia uma justificativa divina para a atração física entre homens maduros e rapazes, dando permissão para a prática da pederastia.

Aspectos psicológicos do Mito

- “Robert Graves (mitólogo norte-americano) relaciona o mito com o repúdio do feminino e à redução do seu poder”;
- A imagem da homossexualidade no mito pode sugerir, entre outras coisas, um mundo exclusivamente masculino, onde o feminino e o plano instintivo da vida não entrem;
- Uma união onde nada mais cresça senão o espírito e a mente;
- A necessidade de exclusão do feminino para o fortalecimento do masculino é arquetípica, o que pode ser visto no costume tribal de separar meninos púberes de suas mães, formando grupos exclusivamente masculinos;
- Muita dificuldade em relações pessoais mais íntimas com o sexo oposto;
- Desenvolvimento do núcleo feminino fica comprometido.
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SIGNO DE CAPRICÓRNIO

Transformar o que até aqui foi acumulado em algo palpável no mundo material é o desafio de Capricórnio. Indica o meio-dia solar do homem. Signo de Terra, de modalidade Cardeal, regido por Saturno. Tenacidade, decisão, sentido da ordem e hábitos sóbrios, Capricórnio traz a marca da contenção, do limite e da cristalização da forma. Luta pelo sucesso mundano, pelo reconhecimento e pelo status. Há uma tendência à ação, ao comando, à disciplina férrea, bem como a assumir responsabilidades. Frieza e distanciamento são usados como uma couraça defensiva que escondem a profunda necessidade de afeto, ao qual tem dificuldade de entregar-se. Em Capricórnio temos o arquétipo do filho rejeitado, o medo do abandono e a solidão interior.



1. Cronos

Depois de ter sido abatido e derrotado por seu filho Zeus, Cronos foi aprisionado no Tártaro, região subterrânea muito abaixo do próprio Reino de Hades. Algum tempo depois, quando Zeus já tinha consolidado seu poder, libertou o próprio pai e o enviou para a ilha dos Bem-Aventurados, nos confins do mundo, onde Cronos passou a reinar sobre os heróis, que nunca morriam. Era uma recuperação da Idade do Ouro na Terra, à qual Cronos parece estar ligado.

Essa fora uma época de fartura e abundância, como a mitologia romana registrou: no reino de Saturno, a Terra produzia uma abundância, não havia guerras ou discórdias, e a escravidão e a propriedade eram desconhecidas, pois todos os homens tinham as coisas em comum. Saturno fora, assim, aquele que ensinou a paz, a justiça, a cultura da terra, a fraternidade e a liberdade, bem como a delegação responsável de poderes dentro da comunidade. E exatamente por isso, na Roma antiga, comemoravam-se todos os anos, na segunda quinzena de dezembro, as Saturnais, festas nas quais havia total liberdade e todas as regras rígidas de moral e convívio social eram abolidas; os escravos deixavam de sê-lo por alguns dias, as normas que regiam o convívio sexual eram abolidas, os horários relaxados e o trabalho deixava de ser cumprido.

Ao fim das Saturnais, o jovem escolhido para reinar como rei Saturno era sacrificado no altar do deus – ou se sacrificava espontaneamente, em ato suicida _, como símbolo do fim da liberdade absoluta de entregar-se a todos os prazeres sem limite algum.


Aspectos Psicológicos do Mito:

- Coube a Cronos o papel de consolidador do já criado: sem sua atuação nada tomaria forma definitiva, discriminada e duradoura;
- Daí seu aspecto limitador, rígido e punitivo contra os que se insurgissem contra os dados da realidade material da vida;
- Depois do sacrifício de Cronos a vida retorna com mais liberdade, porém mais organizada e produtiva;
- Forte inclinação à luxúria e à lascívia, alémde incrível fertilidade e superego voltado às “realizações”;
- Movimento duplo de dentregar-se aos prazeres e se culpar por isso;
- A criança cresce numa casa onde o pai é respeitado, porém sem se envolver com a estrutura familiar; as decisões são tomadas pela mãe, tradicional, que transmite ao filho a necessidade do poder e a capacidade de liderança, incitando-o a desenvolver fortes práticas de controle;
- Núcleo em que convive o “eterno jovem”e o “velho ancião”;
- São comuns na vida do capricorniano prazos mais longos de amadurecimento pessoal;
- ”aprisionamento”, “servidão” e até mesmo “crucifixão” estão presentes, ao menos em sua vida interior e em seus sonhos e fantasias inconscientes, motivo pelo qual ele mesmo cria sua própria prisão, atraindo-a ou “lançando-se” para ela;

- A busca do confronto com limites rígidos seja com o próprio superego, com uma figura exterior de autoridade ou ainda com um parceiro restritivo (fazem parte do processo ritual do seu autoconhecimento).
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SIGNO DE SAGITÁRIO

Neste signo a energia atinge a síntese e se arroja para o alto. Sagitário projeta para um fim aquilo que Escorpião acumulou e transformou. O fogo sagitariano exprime o emergir do fogo interior, chama divina do espírito, enquanto se extingue o fogo da matéria. Signo de Fogo, de modalidade mutável, regido por Júpiter, Sagitário necessita de um significado maior para a vida. Estão ligados a ele as viagens ao exterior, a filosofia, as universidades, a Justiça e a religião. Encontramos neste signo tanto o tipo aventureiro, otimista e juvenil como aqueles atraídos pela vida interior, voltados para experiências eclesiásticas e para a realização do “eu”. Por outro lado também surge o fanático, o conformista, temeroso das novidades e amante da ordem constituída.


1. Zeus

Cronos (o tempo) substituiu Urano (o céu) e assumiu o trono divino. Porém converteu-se num déspota pior do que o pai. Temendo ser deposto, foi devorando um a um os filhos que teria de Réia, sua irmã e esposa - até que nasceu Zeus! Réia envolveu uma pedra em panos e entregou-a a Cronos, que a engoliu como se fosse o filho recém-nascido, deixando o menino aos cuidados da "cabra" Amaltéia, provavelmente uma ninfa, na ilha de Creta, no monte Ida.

Dessa ilha, Zeus (Júpiter), depois de crescido, iniciou a longa batalha para tomar o poder supremo das mãos de Cronos. Inicialmente, aconselhado por Métis, a Prudência, deu-lhe uma droga que o fez vomitar todos os irmãos algum dia engolidos: Hades, Posêidon, Hera, Deméter e Héstia. A seguir, apoiado pelos irmãos, derrotou Cronos depois de dez anos de batalhas sangrentas. Por fim, sorteou com seus dois irmãos a posse do reino conquistado: a Hades, coube o mundo subterrâneo, a Posêidon o mar e a Zeus o céu e a superfície terrestre.

Casado "legitimamente" com sua irmã Hera, Zeus gerou Ares(Marte, para os romanos), Hebe, Ilítia e Hefaístos; mas teve inúmeras consortes, entre deusas e mortais, quase todas seduzidas ou violentadas, gerando um sem-número de filhos e filhas.


Aspectos Psicológicos do Mito:

- Zeus só pôde desenvolver o seu poder através da iniciativa da mãe, uma indicação de que o sagitariano, seja homem ou mulher, por mais independente e macho que pareça ser, é submisso ao poder feminino;
- Via de regra, o sagitariano possui um pai "inatingível" e que somente depois de ter-se ligado "definitivamente" ao seu psiquismo feminino (interior ou projetivamente) é que ele começará a frutificar;
- Pois assim também foi com Zeus: somente casando-se com Hera é que gerou Ares, o deus da vontade e da manifestação assertiva de si mesmo;
- O casamento com Hera colocou Zeus em um permanente vínculo com o feminino;
- A cada amante de Zeus, Hera reagia com brigas, punições, reprimendas ou vinganças, mas o aceitava depois, para tudo recomeçar;
- Não é de surpreender que o sagitariano "fuja" ao "casamento", temendo ficar preso por laços e restrições mas, terminando por, cedo ou tarde, encontrar a sua "Hera";
- Hera, palavra grega que significa "guardiã" ou "conservadora", seduziu Zeus com um cinto mágico, levando-o a fazer amor em segredo sob o oceano;
- É comum uma gravidez não esperada o levar a unir-se à "sua Hera";
- A repetida má percepção sobre a real importância de sua mãe, e do seu próprio princípio feminino, termina por levá-lo a uma hipervalorização dos componentes masculinos, "um acaso do destino" porém faz a integração entre o idealismo e interesse abstrato e o realismo e o interesse concreto do cotidiano.";
- Isto é, a constante briga provocada por um casamento indissolúvel e os inúmeros casos ilícitos de amor é que mantinham Zeus ativo e cheio de vida.

2. Quíron

QUÍRON, meio homem, meio cavalo, representava assim, numa só figura, a sabedoria instintiva e natural do corpo e o acúmulo de conhecimento da Humanidade (Filho de Cronos e Filira que, surpreendidos no ato de amor, transforma-se em um garanhão e sai a galopar). Vivia numa gruta no monte Pélion, onde ensinava música, a arte da guerra e da caça, as leis e, sobretudo, a medicina. Foi um famoso educador. Possuía também o dom da profecia, mas teve um trágico desfecho quando foi ferido acidentalmente na perna (parte animal) pela flecha envenenada de Hércules. Como era imortal não podia morrer e seu sofrimento foi profundo e longo, até que Prometeu, um mortal, a pedido de Zeus, concedeu-lhe o direito de morte. Quíron ascendeu então aos céus para a constelação de sagitário, o Arqueiro.

Aspectos Psicológicos do Mito

- "... a hipertrofia do núcleo masculino excessivamente preocupado com ideais e noções de justiça costuma comprometer no sagitariano a integridade de seu núcleo feminino de emoções e sentimentos.";
- É o curador ferido que não podendo curar-se a si próprio cura os outros pelo conhecimento da causa;
- É aquele que vive projetivamente sua natureza feminina e suas emoções;
- É aquele que vive o mundo etéreo e incorpóreo dos ideais de justiça e de sabedoria, o qual se não tiver uma base na realidade material das emoções, não faz o menor sentido real.
2. OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO


SIGNO ESCORPIÃO


Em Escorpião chega-se ao esgotamento da energia em suas formas concretas a fim de transformar-se em um segundo nascimento no plano metafísico. Morrer como um “eu” isolado para renascer como “nós”. É um signo de Água, de modalidade Fixa, regido por Plutão. Os temas de Escorpião referem-se às paixões, aos instintos, à sombra, que devem vir à tona, para que o homem se purifique, regenere e renasça. Sexo, morte, violência, poder e riqueza estão relacionados com as experiências que, através do sofrimento, levarão à transformação do ser, preparando-o para a busca espiritual. A energia bem canalizada de Escorpião gera indivíduos criativos na psiquiatria, psicanálise, nas ciências investigativas ou ocultas. Consciente das forças desconhecidas que dormem nas profundezas do ser, o indivíduo não mais estará a sua mercê.


1. Órion

Filho do deus Posêidon, Órion era um gigante como aliás, outros heróis: Hércules, Teseu, Aquiles e Aristômaco, entre outros. Dado o seu imenso apetite sexual, tentou um dia violar a própria deusa Ártemis, a deusa da guerra e da caça, e virgem eterna, filha de Zeus e Leto. A deusa, para castigá-lo, mandou um escorpião gigantesco morder-lhe o calcanhar, matando-o instantaneamente. Pelo serviço prestado a Ártemis, o escorpião foi transformado em constelação e passou a simbolizar a raiva da mulher por ter sido ameaçada de estupro (acontecimento não muito raro entre as escorpianas, mesmo que nas formas mais brandas) ou, em outros casos, por ter tido sua oferta afetiva e sexual rejeitada.


Aspectos psicológicos do mito


- O escorpião simboliza os processos inconscientes da mente profunda, dedicados a manter ativas as funções corporais mais básicas de sobrevivência e reprodução;
- O confronto entre o mundo instintivo e o mundo espiritual parece ser cíclico na vida dos escorpianos.




2. Perseu e a Medusa

Perseu era filho de Zeus e Dânae; Encerrado por seu avô Acrísio numa arca de madeira junto com a mãe e largado ao mar, pois uma profecia afirmava que esse menino destronaria o velho rei, foi dar às costas da ilha Sérifo, governada pelo tirano Polidectes, encontrado e criado por Dictis, um pescador muito humilde. Cresceu e tornou-se forte e belo, nunca se afastando da mãe, guardando-a contra todas as investidas de Polidectes.

Durante um jantar na casa do rei, fez a promessa inconseqüente de trazer-lhe a cabeça da Medusa. Aproveitando-se disso, Polidectes ameaça violentar Dânae, caso a promessa não fosse cumprida.Perseu recebe ajuda de Hermes e de Palas Atena para chegar às Górgonas e descobrir o esconderijo da medusa: esse monstro tinha cobras como cabelos, presas de javali, mãos de bronze e asas de ouro, petrificando com o olhar quem dela se aproximasse.Ficara assim por obra e castigo de Palas Atena, pois quando ainda era uma linda mulher violara um templo da deusa ao deitar nele com Posêidon. E desde então escondera-se de todos.



As Górgonas eram um lugar de sombras onde nunca chegava um raio de sol. Primeiro teve que passar pelas três Gréias, entidades semidivinas e roubar-lhes o único olho e o único dente que possuiam e do qual se serviam alternadamente. Enquanto uma vigiava as outras dormiam, enquanto uma comia as outras esperavam a vez. Propondo a troca do olho e do dente conseguiu que elas lhe indicassem o caminho das Ninfas. Estas então lhe entregaram as sandálias aladas de Hermes para voar acima das Górgonas, uma bolsa mágica para guardar a cabeça decepada e o capacete de Hades para lhe dar invisibilidade. Encontrando Hermes e Palas Atena recebeu uma espada mágica para degolar a Medusa e um escudo polido capaz de refletir a imagem da mesma, a fim de ela não o olhasse diretamente, petrificando-o. Com estes apetrechos consegiu o seu intento. Do pescoço cortado da Medusa nasceu Pégaso, o cavalo alado, filho de Posêidon, incapacitado de nascer devido à raiva da mãe. Montado em Pégaso voou para o Oriente, passando pela Etiópia e se apaixonou por Andrômeda, filha do Rei, que deveria ser sacrificada para que outro monstro enviado por Posêidon deixasse de assolar o reino. Perseu matou o monstro com as mesmas armas que haviam derrotado a Medusa

Ao chegar a Sérifo, Perseu soube que na sua ausência Polidectes tentara violentar Dânae. Enraivecido, petrificou o rei e toda sua corte, expondo-os à cabeça cortada de Medusa. A seguir, depois de entregar o trono ao pescador mais humilde que o criara, devolveu as sandálias aladas, o alforje e o capacete de Hades a Hermes, para que os restituísse às Ninfas, suas verdadeiras guardiãs, e retornou à sua terra natal, juntamente com Andrômeda.


Aspectos psicológicos do mito


- perda emocional sofrida pela família antes do seu nascimento;
- atenção mínima necessária à sobrevivência física da criança;
- deixar de se submeter à mãe ou imitá-la, aliviando assim sua imensa raiva pela sensação de rejeição e que não consegue encarar;
- enfrentar o monstro “culpa raivosa”e “mágoa ressentida”- com inteligência e coragem e não com raiva e paixões fortes;
- Confronto entre a mãe pessoal e a mãe arquetípica: Dânae x Medusa;
- Alma interior contaminada pela raiva e amargura inconscientes da mãe, tornando-se um portador do ódio dela;
- O espelho significa a capacidade de reflexão sobre a raiva da Medusa;
- A Medusa é a imagem da escuridão interior e da destrutividade com que Escorpião tem de aprender a lutar, seja dentro de si ou no mundo exterior;

- A Medusa, por ser semidivina não pode ser eliminada ou destruída e sim transformada pela reflexão e pelo fogo: a luz da consciência;
- O cavalo alado é uma criatura terrena com o poder de ascender ao reino da espiritualidade e que jaz adormecido no seio do mais inferior;
- Com Escorpião temos a chance de libertar a energia usada para reprimir conteúdos inconscientes e utilizá-la de forma mais integrada e criativa;
- As Gréias são personificações das três Parcas, para simbolizar que o destino tinha que estar ao lado do herói.

3. Fausto

De acordo com o clássico de Goethe, fausto fez um pacto com o diabo: em troca da vida eterna, vivida como um momento de emoções “sem fim”, e do amor de Margarida, entregava sua alma a Mefistófeles; não conseguia admitir que Margarida, por quem tivera súbita paixão, o rejeitasse; mais ainda, pensava garantir dessa forma a eterna durabilidade de suas emoções, com o que negava a fluidez da própria vida.


Aspectos psicológicos do mito

- Atitude de cinismo maquiavélico que pode estar disfarçada num aparente otimismo, manifesta sua destrutividade através de eventos projetivos na vida da pessoa, que a expõem à própria Sombra;
- Suposição inconsciente de que a vida só vale à pena se “parar”, “congelada” num momento de felicidade ou de raiva, faz o escorpiano mostrar sua face possessiva e retentiva, que tantas vezes o incomoda em sua busca de afeto, busca essa vivida em momentos de forte sexualidade;
- Sua longa jornada entre a sexualidade e a espiritualidade tem como motivação o amor e é isto que o redime.
2. OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO


SIGNO DE LIBRA

Aqui a energia consciente toma consciência dos Outros e deixa para trás um modo antigo de ser indo ao encontro de uma nova forma complementar. Signo pertencente ao elemento Ar, de qualidade Cardeal, regido por Vênus, Libra busca o amor, a parceria, os relacionamentos sociais. Psicologicamente orientados para se manter no equilíbrio, longe das dificuldades, mediante o compromisso, o pacto, a norma legal. Racionaliza limitando a expressão das paixões instintivas e criativas. Indeciso, dotado de talento artístico, pode tornar-se superficial e ser atingido pelo amor ao bem-estar, gosto pelo luxo e pelos prazeres em exagero ou buscar a saída mais cômoda a fim de manter a paz a qualquer preço.



1. Palas Atena

Nascida diretamente do cérebro de Zeus, que em acesso de dores de cabeça pediu a Hefaístos que lhe abrisse o crânio com um martelo de forjaria, Palas Atena identifica-se com os atributos de deusa da inteligência, da paz, das artes e dos artistas; estrategista e apegada às soluções práticas, representa a mulher que se deixa guiar principalmente pela razão e não por arrebatamentos afetivos ou instintivos. Por isso, prefere a companhia masculina (com a qual identifica, projetivamente, seu poderoso Animus), sendo preciosa confidente e amiga íntima, a despeito de usar muitas vezes o sexo como “ato calculado”.


Aspectos psicológicos do mito

-
- Questões de moralidade, proporcionalidade, ética e julgamento;
- Experiências de deseqüilíbrio entre extremos e a violação de leis;
- Eqüílibrio entre eventos e formas próprios dos seres humanos, em sua forma social de cultura;
- Diferente de Virgem que busca o eqüilíbrio entre leis naturais e os acontecimentos da vida.

2. Páris

Páris ou Alexandre era o filho mais novo de Príamo, rei de Tróia, e da rainha HEcuba. Poucos dias antes de dar à luz, Hécuba sonhou com uma tocha incendiando Tróia, e um oráculo prognosticou que seu filho seria a ruína da cidade. Dessa forma, Príamo mandou matá-lo, mas Hécuba entregou-o a pastores que o criaram no monte Ida até a idade em que, voltando a Tróia, venceu um torneio, foi reconhecido por sua irmã Cassandra e aceito de novo por Príamo.

Nascido com o dom da profecia e elegância, foi escolhido por Zeus para decidir uma disputa entre três deusas: Afrodite, Palas Atena e Hera disputavam o título de “A Mais Bela do Olimpo” e a escolha coube a Páris, que entregaria à vencedora uma Maçã de Ouro, um Pomo das Hespérides. Páris quis se negar a servir de juiz em um páreo divino (propondo-se, como bom libriano, a dividir igualmente o prêmio entre as três), mas Hermes, por solicitação direta de Zeus, convenceu-o a fazê-lo. As deusas ofereceram-lhe vantagens (numa prática de suborno, como que a provar que não há nada de novo sob o Sol.). Hera prometeu-lhe o império da Ásia, Palas Atena ofereceu-lhe sabedoria e vitória em todos os combates de que participasse e Afrodite assegurou-lhe o amor da mulher mais bela do mundo _ a imortal Helena, irmã gêmea de Polux (...), esposa de Menelau, rei de Esparta, e pivô da Guerra de Tróia.
A oferta de Helena, mesmo sabendo-a casada, o seduziu e a vencedora do certame foi Afrodite.


Aspectos psicológicos do mito

- Necessidade de realizar um julgamento entre valores pessoais e uma escolha ética;
- Freqüentes triângulos amorosos colocam o libriano em situações de dilema e insegurança;
- Imenso medo em fazer escolhas erradas pelas conseqüências que poderão advir;
- Impulso em ter todas as coisas equilibrada. Propensão a ficar acuada entre duas alternativas seja na vida profissional ou afetiva;
- Por alguma razão a criança libriana é obrigada a apegar-se demais a ambos os pais como se fosse dela a responsabilidade de mantê-los juntos. Com a aparência e a aceitação sociais; desenvolve uma imensa raiva pelas figuras parentais (sombra) a qual terá que enfrentar a fim de fazer melhores escolhas na vida;
- O ponto forte do arquétipo libriano é a opção pelo amor, pelo qual são capazes das maiores loucuras, como desencadear uma guerra (sombra ariana);
- Tem dificuldade em enfrentar fisicamente os adversários;
- Funcionam num nível mais intelectual e seduzem mais com palavras do que com atos;
- Compreende os dois lados de uma questão e pode atuar como intermediário;
- Páris não é um guerreiro, é um pastor, é um ser pacifista.


3. Tirésias


Tirésias ao atingir a idade da iniciação pela qual passava todo jovem, subiu ao monte Citéron e viu duas serpentes em pleno ato de cruzamento. Após separá-las, matou a fêmea e foi, por isso, imediatamente transformado em mulher, permanecendo assim por sete anos. Após esse período, subindo o mesmo monte, deparou com cena idêntica; dessa vez, matou o macho e recuperou seu sexo original.



Assim, como conhecia a vida interior dos dois sexos, foi chamado por Zeus e Hera para decidir uma pendenga entre os dois deuses: “Qual sexo tem mais prazer no amor, o homem ou a mulher?”, era a questão divina. Tirésias habilmente declarou que cabia à mulher nove décimos, aparentemente dando a Hera a vitória(num claro artifício libriano); a deusa, entretanto, percebeu o estratagema, que entregava ao sexo masculino o último décimo, aquele capaz de efetivar os nove que pertencem às mulheres, e cegou Tirésias como vingança. Zeus, por recompensa, deu-lhe o dom da visão interior.


Aspectos psicológicos do mito


- O homem desse signo inclina-se poderosamente para padrões femininos de adorno, valorização afetiva e beleza;
- A mulher libriana é conhecida em geral por seu pensamento “masculino” claro, ordenado e organizador;
- “Os librianos tem de aprender a se harmonizar com sua anima ou animus antes de realizar escolhas afetivas entre valores diferentes na sua vida diária.“
2. OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO


SIGNO DE VIRGEM


Neste signo, a energia, depois de expandir-se em Leão, retorna à essência e aos limites a fim de refinar-se, purificar-se, aperfeiçoar-se pela necessidade de uma melhor autodefinição. Signo de Terra, de qualidade mutável, regido por Mercúrio. É um signo sensorial, adaptável, de inteligência voltada para o plano racional prático-analítico. Meticuloso, detalhista, nervoso, crítico e perfeccionista. Representa o aprimoramento da personalidade individual através do trabalho, serviços, humildade, atenção à vida de todo dia e ao corpo físico. O mito Deméter/Perséfone traz o conflito da emancipação dos filhos vivido com intensidade neste signo.






1. Deméter/Perséfone


Deméter, a deusa das colheitas e da fecundidade, era : filha de Cronos e Réia e essencialmente a deusa do trigo, tendo ensinado aos homens a arte de semeá-lo, colhê-lo e, com ele, fabricar o pão. Com Zeus, Deméter teve uma filha, Perséfone, a "virgem eternamente jovem".

Um dia, quando Perséfone brincava entre as ninfas e suas tias Ártemis e Palas Atena, seu tio Hades a raptou. Decidido a transformá-la em sua esposa, atraiu-a com um narciso e saindo do seu reino em uma carruagem puxada por cavalos negros, arrastou-a para o mundo subterrâneo. Perséfone gritou, Deméter correu em seu auxílio, mas ao chegar ali nada encontrou nem soube do que havia ocorrido. Por nove dias e nove noites vagou com um archote, procurando a filha, consumida em saudades. Finalmente, Hélios, deus que tudo sabia, cientificou-a do acontecido. Profundamente magoada com o sucedido, Deméter recolheu-se ao interior de um santuário, negando-se a retornar ao Olimpo e a permitir que a terra fosse fecundada.

Com isso a Terra ficou sem vegetação, as colheitas se interromperam e o equilíbrio das estações foi rompido. Zeus, intercedendo junto a Hades, solicitou-lhe que permitisse que sua esposa voltasse à superfície, pois os homens corriam o risco do desaparecimento por fome. Hades, por fim, concedeu que Perséfone passasse oito meses por ano com sua mãe, no Olimpo, ficando os outros quatro com seu marido no Reino do Mundo Subterrâneo. Conseguindo a filha de volta, Deméter retornou ao Olimpo e a terra imediatamente cobriu-se de verde.




Aspectos Psicológicos do mito

- O mito dos virginianos sempre nos remete a uma história da relação "mãe-filha", "mãe-filho", sendo que este a experimentará através de sua Anima ou de outras mulheres projetivamente;
- O virginiano nasce em um mundo amplamente dominado pela mãe, que na época vive uma fase critica em relação à própria sensualidade e corporalidade, o que é transmitido para a criança;
- Mais tarde a forte sensualidade presente nas pessoas que têm Virgem por signo solar se nega a manifestar-se.;
- Como resultado, o Virginiano se inclina profundamente à racionalização e se esquiva de viver sua sensualidade e corporalidade.
- A Vida, como Hades, se intromete e obriga o virginiano a enfrentar a experiência vital de forma mais plena. Não há aqui apenas um sentido sexual, mas a penetração da força vital percorrendo o organismo e vitalizando-o, submetendo-o a transformações constantes e necessárias para a manutenção da própria Vida.


2. Astréia

Astréia representava o princípio da Justiça e da harmonia. Essa deusa, filha de Zeus e de Têmis, vivia na Terra entre os homens difundindo os sentimentos de paz, justiça e bondade, ensinando a obediência às leis naturais. Tendo os mortais se degenerado, Astréia retirou-se para o Céu, onde foi transformada na Constelação da Virgem.




Aspectos Psicológicos do Mito

- Astréia simbolizava a ordem intrínseca da natureza;
- Sua irritação com a Humanidade é o símbolo mítico do profundo desgosto virginiano por desordem, caos e desperdício de tempo e recursos: todas as coisas tem seu lugar certo, encadeadas no tempo, em ciclos naturais de rara harmonia;
- Inclinação virginiana a ritos de Justiça e reinplantação da ordem algum dia profanada;
- Extremo criticismo a tudo aquilo que lhe parece fora do lugar ou em desarmonia.


3. Astargates-sereia

A deusa síria Astargates, em muitos aspectos semelhantes à Deméter, era simbolizada como um ser com corpo de mulher e pernas em rabo de peixe.
As sereias eram figuras míticas que se dedicavam a dois prazeres: observar-se no espelho das águas, num ritual narcíseo, e cantar para os viajantes que por elas passavam, para que estes, não conscientes dos rochedos onde as sereias se postavam, naufragassem na tentativa de amá-las.


Aspectos Psicológicos do Mito

- Em sua fase imatura, o virginiano mantém-se distante da própria capacidade de amar e de viver;
- tendo sido submetido a muitas críticas no lar materno e ao afastamento das próprias sensações corporais, a pessoa duvida de si mesma e inclina-se poderosamente a relações de "muito trabalho e pouca paga"- quer do ponto de vista profissional, quer do ponto de vista emocional-afetivo;
- O virginiano muitas vezes termina por viver o papel de Sereia, envolvida num ritual narcíseo de amor por si mesma.
- -Mas, como lembra Maria Esther Harding ao se referir à iniciação feminina nos mistérios do próprio corpo, "quando ela renuncia às suas pretensões pessoais, a energia e a libido, que a princípio tinham propósitos individualistas, fluem para um lado feminino verdadeiro;
- Dessa experiência nasce o poder de amar o outro. Antes de tal “iniciação", seu amor não é mais do que desejo;
- Ela não pode nem mesmo ver a diferença entre “eu te amo" e “eu quero que me ames" ou "quero a satisfação que podes me dar";
- Mais tarde os elementos do desejo e da possessividade terão sido abandonados, transmutados através da apreciação de que sua sexualidade e seu instinto são expressões de uma forca divina, cuja experiência tem um valor inestimável;
- Todos os virginianos são compelidos a mostrar publicamente, de forma concreta e expressiva, de quanto são capazes;
- Ao fazer isso, "matam" a Sereia que vive dentro de si mesmos, pois a realização material elimina qualquer possibilidade de perfeccionismo;
- Com o desaparecimento do narcisismo, em função da aceitação do Outro como pólo essencial para a plena realização da identidade, a possibilidade de amar se manifesta de fato - seja esse Outro quem for, como o faria a sacerdotisa da deusa, pois o núcleo mítico de Virgem não reconhece a submissão a "marido" ou "mulher" como norma ou fonte principal do encontro consigo mesmo.
2. OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO


SIGNO DE LEÃO

A energia tem consciência de si e revela-se. O “eu” deseja expandir-se, iluminar, ser “alguém especial”. Passagem do inconsciente para o consciente. Signo de fogo, de qualidade fixa, regido pelo Sol. Símbolo da força subjetiva, de auto-afirmação do homem como indivíduo e de sua origem divina. Princípio de vida psíquica que o leva a agir e criar, o Animus, segundo Jung. Desejo inato de ser reconhecido, dar e receber amor. Princípio de lei, justiça, força e domínio. Relaciona-se com o pai e todas as figuras de autoridade. Alegria de viver, arte, criatividade, amor, hobbies, filhos. Em Leão pode haver a inflação do “eu” surgindo o individualismo egocêntrico. Hércules e Apolo são os mitos que o identificam mais nitidamente.


1. Hércules e o Leão de Neméia


A morte do Leão de Neméia foi o primeiro dos doze trabalhos de Hércules. Esse leão, criado pela deusa lunar Selene ou pela própria deusa Hera ... vivia numa caverna de duas bocas durante o dia, saindo à noite para aterrorizar os bosques de Neméia, cidade da região grega da Argólida, devorando os rebanhos que lá pastavam. Era “relativamente invulnerável”, pois Hera o dotara de tais poderes contra flechas, maças, lanças e tacapes, que tais armas nem sequer lhe arranhavam o pêlo!

Hércules foi à Neméia e enfrentou o leão em frente de sua própria caverna; num primeiro momento, esquecido da invulnerabilidade do animal, atirou-lhe flechas: nada aconteceu, senão assustar o animal, que se refugiou na caverna. Então Hércules entrou nu e desarmado no covil da fera, munido apenas de um archote para iluminar-lhe o caminho e, ao enfrentar corpo a corpo o animal, sufocou-o pela garganta com as próprias mãos. A seguir, retirou-lhe a pele e com ela fez uma vestimenta protetora, fazendo de sua cabeça um capacete.






Aspectos Psicológicos do mito

- Luta do Ego humano contra os instintos e impulsos impessoais que provêm do inconsciente;
- Paixões do coração que ficam a serviço de seu possuidor depois de humanizadas;
- O leonino vê, desde cedo, punidas com severidade todas as suas fortes reações emocionais e premiadas em excesso suas manifestações de comportamento ético e justo;
- Portanto, não vive a sensação de ser amado pelo que é, mas pelo “muito bom” que será capaz de ser ou produzir;
- As emoções ficam mantidas no inconsciente, tornam-se autônomas e dominam a consciência e o comportamento, colocadas a serviço de causas;
- Idealismo exacerbado, perfeccionismo implacável e preocupação ética em demasia;
- À medida que a pessoa enfrenta suas paixões no fundo da própria caverna, somente com os recursos de que dispõe, e que as coloque a seu serviço de maneira humanizada poderá governar homens, ao oferecer-se como exemplo;
- Acúmulo de soberba e orgulho desenvolvido como compensação à rejeição paterna na infância;
- Aprender a se aceitar como se é e a se amar pelo que se é.

2. Apolo

Apolo é um deus que pertence à segunda geração dos Olímpicos. É filho de Zeus e de Leto. Conta-se que, grávida de Zeus, e sentindo aproximar-se a hora do parto, Leto percorreu o mundo inteiro em busca de um local onde pudesse dar à luz os gêmeos Apolo e Ártemis. Hera, esposa de Zeus, enciumada, proibiu a Terra de acolhê-la. Temendo a cólera da rainha dos deuses, nenhuma região ousou recebê-la. Leto, então teve seus filhos na ilha flutuante de Ortígia. Apolo, agradecido, mudou-lhe o nome para Delos, “a luminosa” e transformou a ilha no centro do mundo grego. Hera reteve no Olimpo sua filha Ilítia, a deusa dos partos para que esta não auxiliasse Leto. Nasceu Ártemis que auxiliou o parto da mãe durante o nascimento de Apolo. Vendo o sofrimento de sua mãe, Ártemis jurou jamais casar-se e mais tarde Zeus consente que ela se torne a protetora dos partos difíceis. Ainda por vingança, Hera lança contra Leto a serpente Píton. Com os recém-nascidos nos braços Leto foge para Lícia, “terra dos lobos”. Os camponeses da região, com receio de Hera, expulsam-na do local, quando Leto parou junto a uma fonte para lavar os filhos e beber água. Neste momento, a deusa, possuída de imensa cólera, transforma os camponeses em rãs.

Quando Apolo nasceu sete cisnes brancos sobrevoaram a ilha de Delos dando sete voltas sobre ela. O deus nasceu em um dia sete e suas festas eram comemoradas no dia sete do mês Bísio. Sete é, pois, o número de Apolo. Zeus enviou ao filho recém-nascido uma mitra de ouro, uma lira e um carro, onde se atrelavam alvos cisnes que o levaram ao país dos Hiperbóreos, onde ali permaneceu por um ano, indo depois para Delphos. Estava agora preparado para a luta contra o dragão Píton, para alguns, Delfine, uma serpente. Píton guardava o antigo oráculo de Têmis, mas igualmente devastava a região, matando rebanhos e pastores na planície de Crissa e que, por ordem de Hera, perseguia Leto. O deus flechou e tirou a pele de Píton, cobrindo com ela a trípode em que passou a sentar-se sua sacerdotiza, a Pítia ou Pitonisa.

Antes, porém, de reinar soberano em Delfos, o deus teve que passar um ano no vale de Tempe, na Tessália, para purificar-se da morte de Píton. O deus-sol não visava a suprimir as pulsões humanas, mas orientá-las no sentido de uma espiritualização progressiva, mercê do desenvolvimento da consciência. Transforma-se na grande divindade da purificação, dos oráculos e da medicina.

Ainda deus da música e da poesia, Apolo jamais conseguiu encontrar-se ou encontrar segurança em suas múltiplas relações amorosas. Eros fere o coração de Apolo com a flecha do amor e da ninfa Dafne com a da repulsa e da indiferença. Para fugir do deus a ninfa pede ao seu pai, o deus-rio, para transformá-la em um loureiro. Apolo, então, abraçou a árvore, deu-lhe o nome da amada e determinou que aquela seria a árvore sagrado de seu culto. Suas folhas seriam destinadas à purificação dos sacerdotes e ao coroamento das grandes vitórias.


Aspectos psicológicos do mito


- Marco importante da passagem da sociedade matriarcal para a patriarcal;
- Personifica o aspecto da personalidade que quer definições claras, valoriza a
ordem a harmonia e as aparências;
- Sabem o que querem, enxergam o futuro, definem suas metas;
- São realizadores, criadores, autores, legisladores;
- Suas metas e conquistas costumam ser públicas;
- O signo de Leão possui uma abundância de dons, dos quais nem sempre tem
consciência;
- Os leoninos costumam assumir suas criações, sem medo da exposição;
(Apolo assimilou atributos de deuses mais primitivos imprimindo sua marca);
- Assimilam valores tradicionais que são passados aos descendentes;

- Querem sentir-se amados e respeitados por todos e o fazem
por merecer, pois buscam a aprovação dos superiores e tornam-se líderes;
- Nem sempre seus amores são felizes; os apolíneos são racionais, lógicos,
intelectuais, filosóficos;
Costumam valorizar muito a própria imagem, sendo conhecidos pela vaidade;
- Estão conectados com a própria essência e criam a partir desse contato;
- Estão ligados com toda criação artística e devem irradiar a beleza para
todos os seres humanos; O brilho do efêmero os fascina;
- Quando não está em contato com sua força - o amor - e não a expressa,
aparece o lado sombrio, rude e até cruel do signo;
- Não sabem lidar com o fracasso, nem com a perda; (ver Dafne);
- Necessidade de, periodicamente, voltar para a sua fonte interna:
o País dos Hiperbóreos. Na fonte está a luz, a alegria, a juventude eterna,
a criança interior dele e de cada um de nós.
2. OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO


SIGNO DE CÂNCER

Câncer é o arquétipo da Grande Mãe. Aqui a energia concentra-se em torno de um ponto e formará a base da identidade. Juntando as informações já recebidas ganha-se o sentimento de ser alguém dentro de um corpo próprio. Primeira percepção do “eu”. É um signo que pertence ao elemento Ägua com qualidades Cardeais. Vai ao encalço de seus objetivos de maneira subjetiva e indireta. Busca segurança e tem dificuldade de desligar-se do cordão umbilical. A Lua rege este signo de humor instável e extrema sensibilidade. Caráter receptivo, passivo, preso ao passado, às recordações e fantasias. Representa no inconsciente profundo o Karma dos pais. Vê o mundo através de si mesmo. Atua pela função psíquica do sentimento. É um emocional que muitas vezes protege-se através de um rígido comportamento lógico-racional.

1. O caranguejo de Lerna

Zeus se apaixonara por Alcmena, prometida de Anfitrião, rei de Tebas, e através dela resolvera dar a essa cidade grega um herói como jamais existira. Para isso, sabedor da fidelidade de Alcmena, “travestiu-se” de Anfitrião, que estava a guerrear, e teve com ela três noites de amor, engravidando-a de Hércules. A seguir, com o retorno do legítimo prometido e após ter se casado com ele, Alcmena engravidou de Íficles. Nasceram, assim, dois gêmeos.
Não feliz com isso, Zeus tramou a imortalidade de seu filho mortal preferido: adormecendo Hera, fez com que a criança sugasse o seio da deusa. A despeito de a deusa ter acordado e repelido Hércules, borrifando longe o próprio leite e dando origem, com isso, à Via Láctea, o menino tornara-se imortal. E isso, Hera nunca perdoou.
Lançou contra Hércules a maldição da raiva e da demência, e ele acabou por matar os próprios filhos e a esposa; a seguir, já lúcido, Hércules consultou o Oráculo de Delfos sobre como expiar tão bárbaro crime, recebendo como resposta a servidão ao primo Euristeu. E este, por sua vez, sob mando de Hera, deu-lhe por tarefa os doze trabalhos (dos quais se supunha não sairia vencedor), entre os quais o enfrentamento da Hidra de Lerna. Para vencer o monstro, Hércules usa a espada, arma de combate espiritual, conjugada ao archote, que cauteriza as feridas, a fim de que, as cabeças da Hidra não mais possam renascer.
Acontece que no pântano de Lerna habitava um imenso caranguejo, enviado por Hera, o qual investiu contra Hércules pelas costas (uma manobra canceriana característica) no mesmo momento em que ele enfrentava a Hidra, “pinçando-o” pelas ancas e pelos pés. O herói conseguiu matá-lo e, em seguida, derrotar a Hidra.(1)

Aspectos psicológicos do mito

- Câncer parece indicar a necessidade de enfrentar pai e mãe para conquistar a própria identidade;
- O caranguejo de Lerna representa a raiva da matriarca contra a possibilidade de independência e identidade individual de sua criatura;
- O pai está com freqüência ausente e a mãe é percebida como o único pólo de poder no lar;
- Não raro a mãe da canceriana disputa com a filha a primazia pelo poder feminino;
- A vivência infantil do canceriano dá à mãe uma dimensão que na verdade ela não possui o que causa no homem o “complexo materno”;
- A cada relação vem à tona a busca do “útero materno” a busca de quem “cuide” dele, com comportamentos infantilizados;
- A relação típica do parceiro parece apoiar as tarefas de crescimento do canceriano, enquanto “sabota-o” pelas costas nos momentos mais difíceis.
- Esta forma de agir pode aparecer nos relacionamentos dos cancerianos onde oferecem apoio e amor conscientemente, enquanto em segredo minam o outro boicotando os seus projetos sentidos como uma ameaça à relação;

2. Aquiles

Tétis. A deusa, que havia recebido a profecia de que um filho seu seria muito maior do que qualquer deus, foi impedida por Zeus de desposar uma divindade: ela só poderia ter como esposo um mortal, homem comum.

De Peleu, Tétis concebeu Aquiles, o grande herói da Guerra de Tróia. Para impedir que Aquiles se expusesse a essa guerra, Tétis vestiu-o de mulher, pois havia a profecia de que Aquiles teria uma vida curta e cheia de glórias ou uma vida longa, mas inglória. Tétis, Mãe Terrível, preferiu a segunda hipótese. Aquiles ganhou a imortalidade ao morrer na batalha decisiva da Guerra de Tróia.

Aspectos psicológicos do mito

- O canceriano prefere ficar no colo da mãe em vez de libertar seu imenso potencial criativo (que herdou do Pai Divino); outras vezes, fica à espera de que alguém venha realizar projetivamente seu próprio potencial;
- A separação da mãe é um enorme rito de passagem na vida do canceriano, marcando definitivamente seu segundo nascimento;
2. OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO

SIGNO DE GÊMEOS

Gêmeos simboliza a energia expandindo-se para além da forma através da mente. É um signo pertencente ao elemento Ar com qualidades Mutáveis, o que o torna extremamente flexível e capaz de estabelecer intercâmbios no ambiente em que se insere. Gêmeos é a descoberta do mundo em um nível concreto, a capacidade de relacionar-se, locomover-se e fazer trocas de qualquer natureza. Representa a dualidade que existe em nós e no Universo. Faz uso da projeção em seus processos de auto descoberta. A comunicação, os pensamentos, a lógica e o mundo das idéias lhe pertencem. Na mitologia grega é simbolizado por Hermes, o Mensageiro dos deuses e pelos gêmeos Castor e Pólux.
O planeta Mercúrio é o regente deste signo engenhoso, irrequieto, sagaz e comunicativo.


1. Hermes

Hermes para os gregos, Mercúrio para os romanos é um deus nascido da união de Zeus, o senhor supremo dos céus e da superfície da Terra, com a ninfa Maia, a mãe da noite, filha do Titã Atlas. Era uma das sete plêiades junto às suas irmãs Taígeta, Electra, Alcíone, Astérope, Celeno e Mérope.

As jovens dançavam alegres nos bosques quando se viram perseguidas pelo gigante Órion que se apaixonara por Mérope. Zeus as encontrou assustadas e colocou-se a observá-las de longe. Sua atenção se fixou em Maia que tocou seu coração. Ofereceu segurança e proteção às moças e assim conquistou o coração da ninfa.

Maia tornou-se mãe de Hermes que nasceu em uma gruta profunda e úmida da Arcádia. assim que o menino nasceu enrolou o menino em faixas e colocou-o no vão de um salgueiro, uma árvore sagrada que tinha raízes no mundo subterrâneo, a copa no reino divino e o tronco no mundo dos homens.
Hermes logo mostrou sua astúcia. desvencilhando-se das faixas, saiu para um passeio nas montanhas e chegou à tessália. ocultou-se atrás de uma árvore para observar Apolo, o deus-pastor, juntando o gado. Hermes roubou-lhe algumas cabeças e para que não fosse seguido atou galhos com folhas na cauda dos animais para que seus rastros fossem sendo apagados. sacrificou duas novilhas aos deuses oferecendo o sacrifício a fim de obter o pedido de tornar-se adulto rapidamente e trabalhar junto aos mesmos. depois, fez uma lira com o casco de uma tartaruga usando as tripas das novilhas como cordas. voltou para o monte Cileno, atou-se novamente com as faixas e colocou-se no vão do salgueiro.

Apolo, possuidor do dom divino da intuição, foi ter com Maia, acusando Hermes do roubo. esta vendo o menino dormir tranqüilamente, ofendeu-se com o rei pastor. Apolo, que perderia seus dons caso duvidasse de sua intuição, foi queixar-se a Zeus e este, então, resolveu conhecer este seu novo filho. habilmente conseguiu extrair dele a verdade, fazendo-o prometer que não mais mentiria.

Hermes confessou o roubo e prometeu não mais mentir, mas também que nunca diria a verdade totalmente, dizendo que "poucos são aqueles que têm capacidade de compreendê-la". Zeus limitou-se a admirar a inteligência do filho. após, ofereceu a lira a Apolo, elogiando suas habilidades artísticas, ganhando com isto o rebanho. mais tarde criou a flauta que trocou com Apolo pelo cajado de ouro com a qual tocava os rebanhos. ganhou assim o poder da adivinhação, aperfeiçoando-se nesta arte. Zeus presenteou-o com sandálias de ouro aladas e transformou-o no mensageiro dos deuses ao vê-lo trabalhar sem cessar, deslocando-se com rapidez e segurança entre o céu, a terra e os infernos.

Hermes tornou-se o deus dos viajantes, patrono dos ladrões e dos trapaceiros, protetor da magia e da adivinhação e, responsável pelos golpes de sorte e pelas súbitas mudanças da vida. chamam-no de trapaceiro porque é ambíguo e ao mesmo tempo fiel mensageiro dos deuses no mundo das trevas.

Sua cor é o vermelho e branco que refletem as paixões terrenas e a clareza espiritual que fazem parte de sua natureza. Hermes é um deus brincalhão e embusteiro e tem suas próprias idéias a respeito do que é importante. é o guia interior, o anjo da guarda, o vislumbre que brota do inconsciente para nos indicar a direção que devemos tomar nos momentos em que nos achamos confusos ou perdidos, porém, a quem não podemos solicitar ajuda nas decisões mais simples do cotidiano, pois nestas horas pode ser embusteiro e nos conduzir ao perigo. Hermes representa a mente, a ligação com o inconsciente, com os mundos subterrâneos de Hades.

Aspectos psicológicos do mito:

- Comunicação, locomoção, viagens curtas, troca de informações e idéias, pensamentos e percepções;
- Parte da psique que consegue passar de um nível, plano ou dimensão para outro;
- Capacidade que a mente tem para descer às profundezas do inconsciente e resgatar materiais reprimidos para serem examinados à luz da consciência;
- Área de inquietude, onde precisamos de variedade, de mudança e de espaço para a movimentação;
- Associado ao inesperado, à coincidência e à sincronicidade ou a eventos que parecem acidentais, mas depois fazem sentido ou mostram que servem a uma finalidade;
- Área onde devemos ser inventivos, brincalhões e dispostos a tentar novas coisas ao invés de apenas nos satisfazermos com o status quo da área;
- O caráter ambíguo de Hermes ilustra a união da luz com a sombra, síntese de sua tarefa;
- O movimento está presente em sua vida desde o início. Seu primeiro dia de vida é um prelúdio onde todos os temas de Hermes/Gêmeos estiveram presentes;
- Hermes muitas vezes age como um embusteiro; usa a astúcia e a magia para conseguir seus intentos; Buscas soluções imediatas nem sempre definitivas;
- Os geminianos são extremamente engenhosos, prolixos e persuasivos; algumas vezes se perdem no meio das histórias que criam, mentem ou omitem a verdade deliberadamente;
- Os geminianos são eloqüentes, de raciocínio rápido e capazes de argumentos que convencem os outros de seus pontos de vista;
- Capacidade persuasiva, ótimos negociadores e comerciantes, bem como defensores de classes ou de seus interesses;
- O caduceu é um símbolo que contém duas serpentes enroladas em sentidos opostos significando o equilíbrio das tendências contrárias – benéfico e maléfico;
- Gêmeos movimenta-se entre os diversos reinos, em comunicação com pessoas, conhece fatos e histórias, interliga todos os elementos, registra e divulga as notícias como um verdadeiro repórter;
- Gêmeos é um arquétipo presente em todas as etapas do desenvolvimento individual ou coletivo: fecha ciclos, abre novas etapas e adapta-se a elas, sinalizando o amadurecimento;
- Hermes representa a fluidez, o movimento e a confusão que via de regra precede os novos começos;
- Caráter mimético, inquieto, com necessidade de saber, se desgastam correndo de um lado para outro ou pulando de um assunto para outro; Precisa trazer para a realidade concreta o plano mental;
- Temos comunicadores, professores, vendedores, comerciantes, escritores, viajantes etc.
- A fala, a audição, a voz e o Logos são atributos geminianos;
- Costumam viver o presente como algo transitório com os olhos em futuras possibilidades;
- Cumprir sempre os mesmos compromissos e horários pode ser sufocante para os geminianos; ocupam-se dos sintomas, não das causas ou da prevenção;

2. Castor e Polux

Esses, como tantos outros gêmeos (ou mesmo apenas irmãos), sempre representam na história da Humanidade uma complementaridade de pólos opostos. Na Babilônia, Innana e Ereshkigal; Ormuzd e Ahriman para os zoroastristas; Caim e Abel no Velho Testamento; Emmanuel e Satanael para os cristãos gnósticos; Rômulo e Remo na mitologia romana e finalmente Castor e Polux na mitologia grega.

Apaixonado por Leda, Zeus se transformou em um cisne e a seduziu. Ela estava grávida de Tíndaro, rei de Esparta e tinha se transformado em gansa para escapar aos assédios do Deus do Olimpo. Como resultado disso, Leda pôs dois ovos. De um nasceu Castor e Clitemnestra, crianças mortais, porque filhos do próprio rei de Esparta; de outro, entretanto, nasceram Pólux e Helena (futuro pivô da Guerra de Tróia e esposa de Menelau ambos filhos de Zeus e, por isso, imortais.

Castor e Pólux eram muito diferentes, senão mesmo opostos entre si: enquanto o primeiro era guerreiro, forte e impositivo, Pólux era músico, delicado e sensível. Ambos brigavam muito dadas essas diferenças, até que Castor, envolvido em uma batalha contra dois outros gêmeos, sucumbiu e morreu. Pólux, coberto de dor e saudade, pediu a seu pai que intercedesse junto ao reino de Hades, para onde a alma de Castor havia sido levada, de forma a que este voltasse a viver ou Hades aceitasse a vida do próprio Pólux em troca. Castor havia morrido, e a palavra de Hades era irrecorrível; além disso, Pólux, por ser imortal, não poderia morrer.

Mas o arranjo foi feito e os dois gêmeos receberam autorização para viver um dia cada um, alternadamente, no Reino de Hades e nos domínios de Zeus, a superfície da Terra: assim, enquanto Castor estivesse vivo, Pólux desceria ao Hades, invertendo-se as posições no dia seguinte (1).

Aspectos psicológicos do mito

- Gêmeos representa pólos de força positiva e negativa combatendo-se entre si;
- A força do Bem deve vencer através de embates dentro do próprio ser;
- Luta do ser contra sua própria Sombra (inimigo interno, nascido e vivido conjuntamente); Desse embate interno surge o crescimento da pessoa humana;
- Pessoa apresenta forte traço de oscilação de humor, indo da depressão à euforia e vice-versa; Ora comporta-se da forma mais elogiosa possível, ora é insociável;
- (na observação popular “tem duas caras);
- Um dos pólos é sempre vivido de forma projetiva até que a pessoa se conscientize que não é com o outro e sim consigo mesmo o embate que deve ser feito a fim de harmonizar os “gêmeos psíquicos”- Sombra e Persona;
- Tendência a projetar em irmãos, sócios, amigos, parceiros ou mesmo em um filho a sua Sombra, combatendo-os de forma a combater seu lado sombroso;
- Ao longo da vida os geminianos entram muitas vezes em conflitos com rivais; esses conflitos servem para sinalizar a projeção de um de seus lados no mundo externo;
- A alternância dos gêmeos simboliza o conflito entre o ser e sua própria sombra que deve ser integrada para que o crescimento possa acontecer;
- O jeito jovial e descomprometido do geminiano pode causar a impressão de que eles não levam nada a sério; apenas curtem a vida;
- Temos neste mito a dualidade geminiana: o lado etéreo, divino, espiritualizado em conflito com o racional, materialista e terreno. (intelecto x emoções, consciente x inconsciente, humano x divino);
- Gêmeos deve fazer a ponte entre estes dois lados tornando-se o intérprete, o tradutor e o mensageiro para atenuar seu conflito interno;
- Precisa aceitar seus pólos opostos e entender que eles fazem parte do todo holístico da vida.
2. OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO

SIGNO DE TOURO

Touro é o arquétipo que representa a energia vital adquirindo formas. Tem a característica do elemento Terra e uma qualidade Fixa, o que lhe dá uma ligação muito forte com o corpo físico e sua sustentação no plano material. A sensação é a função psíquica mais acentuada neste arquétipo. Através dela o taurino percebe as necessidades e motivações que o fazem sair da inércia e se dispor a usar sua potência. A sensorialidade é a energia que deve ser canalizada construtivamente. Touro gosta da boa comida, de uma boa vida sexual e de estabilidade. É avesso a mudanças. Vênus rege este signo sensual e artístico. Sua qualidade fixa pode torná-lo obstinado demais e teimoso. Pode perder sua qualidade espiritual se voltar-se demasiado para a vida material em sua ânsia pela satisfação dos prazeres e necessidade de segurança.


1. Afrodite

Afrodite teria sua origem em Astarté, deusa semítica das águas e da fecundidade. Para os fenícios tinha relação com Astério, o Minotauro de Creta e era chamada Astoreth. Astarté provém do grego – astaros – que significa “estrela”. No culto mitraico assumiu o símbolo da cabeça de touro com um disco entre os chifres. Na região do Egito era uma divindade relacionada com o princípio de atração-desejo, no sentido receptivo-passivo. Mais tarde Afrodite, a grega assume tanto as características quanto o ideograma da cruz sob o círculo, representando o espírito sobre a matéria. Vênus-Astarté é essencialmente natural e instintiva, cuja expressão afetiva é ainda ligada à sexualidade terrena animal, já Vênus-Afrodite assume o símbolo do afeto sensual e da feminilidade. É a deusa da beleza e do amor e sua relação com deuses e heróis criam vários mitos gregos. Vênus, a romana, portanto, teria surgido no céu já na época dos babilônios e junto coma Lua tornou-se o arquétipo da Grande Mãe, representando a expressão afetivo-sensual da mulher, enquanto a Lua representa a expressão materno-protetora.





Hesíodo, na Teogonia, a descreve como Anamediômene, “a que surge das ondas do mar”. Teria nascido do esperma de Urano quando Cronos decepara os testículos do pai, a fim de tomar-lhe o poder. Ao cair no mar, o esperma misturando-se à espuma, teria dado origem a Afrodite. Esta, ao nascer, foi levada pelo vento Zéfiro para Chipre (daí o epíteto de Citeréia e Cipris). Em Chipre a deusa foi acolhida pelas Horas que a vestiram e ornamentaram, conduzindo-a ao Olimpo. Na Ilíada, a deusa aparece como filha de Dione e Zeus, daí seu epíteto de Dionéia.

A deusa escolheu Pafos, na Ilha de Cipre, para sua morada e lá se encontram, até hoje, seus templos mais importantes. Em Roma era cultuada como Vênus, a deusa do Amor e da Beleza. Em tempos e lugares diferentes, era conhecida por diversos nomes. Na Suméria era Inana, na Babilônia, Isthar, na Périsa temos Anahita. Os cananeus, hebreus e fenícios cultuavam Astarte, no Egito temos Isis e na Lídia, Cibele.

Os estudiosos apontam para uma origem dupla no mito entre Afrodite Urânia, a celeste, inspiradora de um amor etéreo, superior e Afrodite Pandêmia, a popular, a vulgar, inspiradora, segundo Platão, de amores comuns, vulgares e carnais.

Casada com Hefesto, o deus dos nós, ferreiro e coxo, por imposição de Zeus, manteve com Ares um romance apaixonado, durante as prolongadas ausências do marido, que tinha suas forjas no monte Etna, na Sicília. O adultério, pego em flagrante, rendeu boas gargalhadas aos deuses, expondo Afrodite e Ares ao ridículo. Afrodite fugiu para Chipre e Ares para a Trácia.

Além de Ares, Afrodite teve numerosas paixões, como Adônis. A lenda conta que Mirra ou Esmirna foi castigada pela deusa por querer competir com ela em beleza. Assim, Mirra foi possuída por uma intensa paixão incestuosa pelo pai, Téias, o rei da Síria. Auxiliada pela aia, Mirra une-se ao pai durante doze noites. Quando Téias descobre quem é a parceira desconhecida fica horrorizado e persegue-a a fim de matá-la. Pedindo clemência aos deuses, Mirra é por eles auxiliada e transformada em uma árvore da qual, tempos depois, surgiu Adônis. Afrodite impressionada pela beleza da criança a recolhe e confia-a a Perséfone, que depois recusa-se a devolvê-la. Zeus resolve a questão e Adônis passa a viver oito meses junto a Afrodite e quatro junto a Perséfone. Segundo Junito Brandão, não se sabe o motivo pelo qual Ártemis lançara um javali contra Adônis, matando-o. Zeus, vendo o desespero de Afrodite transforma Adônis em uma anêmona. O mito prende-se aos ritos simbólicos da vegetação. Na Síria, as mulheres celebravam anualmente a entrada da primavera, lembrando a morte de Adônis, plantando mudas de roseiras em vasos e caixotes – eram os célebres Jardins de Adônis.

Com Anquises, o herói troiano, Afrodite teve Enéias. Com Hermes teve Hermafrodito, que transformou-se em um ser de natureza dupla, ao ser fundido com o corpo da ninfa Sálmacis. Hermafrodito pediu aos deuses que aquele que se banhasse nas águas da fonte onde ocorrera a fusão, perdesse a virilidade.
Da união de Afrodite com Dioniso, o deus do êxtase e do entusiasmo, nasceu Príapo. Existe a variante de que Zeus apaixonou-se e possuiu Afrodite, tão logo esta nasceu. Hera, por ciúme teria acertado um soco no ventre de Afrodite, motivo pelo qual Príapo nascera com um membro descomunal. A criança teria sido abandonada pela mãe, por medo do ridículo, em uma alta montanha, onde Príapo foi encontrado e criado pelos pastores.

A deusa, para satisfazer seus caprichos ou vingar-se, fazia do amor uma arma e um veneno mortal. Assim foi, que para proteger Jasão, fez Medéia amá-lo loucamente. Puniu o jovem Hipólito por este recusar-lhe o culto, preferindo cultuar Ártemis. Sua madrasta Fedra, apaixonada pelo enteado por inspiração da deusa, acusa-o, injustamente, de persegui-la e suicida-se. Não conseguindo provar sua inocência, Hipólito é mandado embora pelo pai. A deusa puniu também as mulheres da ilha de Lemnos que negaram-se a cultuá-la. Castigou-as com um odor insuportável, fazendo seus maridos trocarem-nas pelas escravas.
As Hierodulas, também conhecidas como prostitutas sagradas, estão ligadas a deusa Afrodite. “Estas verdadeiras sacerdotisas entregavam-se nos templos da deusa aos visitantes com o fito de promover e provocar a vegetação, além de arrecadar dinheiro para os próprios templos.”
“Afrodite é o símbolo das forças irrefreáveis da fecundidade...em função do desejo ardente que essas mesmas forças irresistíveis ateiam nas entranhas de todas as criaturas.” Junito Brandão.



Aspectos psicológicos do mito


- A ameaça ou perda daquilo que os taurinos acreditam possuir provoca reações emocionais intensas;
- Quando se sentem traídos usam suas armas contra o rival e não contra o amado. Quando feridos em seu orgulho e vaidade acionam o escorpião (sombra) e são capazes das mais cruéis armadilhas vingativas;
- Desperta a cobiça e o desejo dos homens ( e deuses) e a raiva, inveja e ciúmes das mulheres (e deusas);
- Os taurinos ou pessoas com Vênus muito acentuado parecem fazer jogos de sedução o tempo inteiro, o que gera conflitos e mal-entendidos;
- A deusa simboliza os aspectos da natureza feminina que se manifestam na matéria: beleza física, consciência corporal, capacidade de conectar emoções profundas com os vínculos;
- Os taurinos precisam primeiro da experiência concreta, onde aprendem utilizando os sentidos;
- Imagem da igualdade sexual, preocupação com a alegria conjugal, fertilidade e êxtase;
- Afrodite/Hefestos representa a união do feminino, sedutor e belo com o masculino, criativo e engenhoso;
- O trabalho criativo nasce de um envolvimento intenso e apaixonado. Para os taurinos, um processo sensual envolvendo o toque, o som, o visual, o cheiro e o gosto. Vênus e Touro regem as experiências sensoriais;
- Afrodite/Perséfone: o lado escorpiônico do taurino; Perdas, mortes e abandono são também vivências taurinas. É do domínio da deusa uma profunda aceitação que o amor apaixonado não dura para sempre;
- Vive as emoções mais profundas sem reprimir a dor;
- Amar e ser amada no momento em que o amor acontece, sem se preocupar com a continuidade. A permanência pertence ao mundo de Hera.
- Os taurinos tem mais dificuldade de finalizar seus casos amorosos pois temem a perda da segurança; Os venusianos são capazes de se apaixonar com facilidade acreditando que – desta vez – encontrarão o par ideal (libra);
- O comportamento deixa atrás de si uma série de ex que se sentem usados e descartados;
- O taurino precisa viver suas relações primeiro no plano físico e deste evoluir para o emocional; seu grande instrumento é o amor que pode mudar radicalmente sua calma e rotineira vida;









2. O Minotauro/Teseu

Sob a forma de um touro branco Zeus raptou Europa. Dessa união nasceram Minos, Sarpédon e Radamanto. Europa casou-se com Astério, rei de Creta, que adotou os filhos do deus. Após a morte do pai adotivo, Minos proclamou-se rei de Creta e expulsou os irmãos.
Conquistador de outras ilhas e de regiões do continente, Minos certa vez solicitou o apoio de Posêidon, o deus grego dos mares e dos terremotos, mais tarde denominado Netuno pelos romanos, para enfrentar os próprios irmãos na defesa do trono, pedindo-lhe que mandasse das profundezas oceânicas um touro sagrado como sinal de seu direito divino ao trono. E mais: prometeu que tal animal seria imediatamente sacrificado no altar do deus, assim que fosse vitorioso no embate político.
Mas o animal era de tal beleza que Minos, por influência direta de Pasifae, sua esposa, esqueceu-se da promessa e após a vitória guardou-o entre os próprios rebanhos, sacrificando outro animal no altar do deus. Posêidon, irritado com o comportamento desonesto e injusto do rei, solicitou a Afrodite que fizesse Pasífae ter uma irresistível paixão física pelo touro sagrado. Esta, movida por um desejo incontrolável usou como disfarce uma vaca de madeira construída por Dédalo, o arquiteto do reino. E da união dos dois nasceu o Minotauro, com corpo de homem e cabeça de touro, símbolo da perversão de Minos.
Horrorizado com tal criatura, gerada por sua própria esposa, Minos incumbiu o artesão Dédalo de construir um labirinto para encarcerar o Minotauro ocultando-o dos olhos dos homens. O alimento da fera era obtido através de uma dívida de guerra de Atenas com Creta. Minos impôs como condição de rendição a Atenas que essa cidade helênica lhe enviasse todo ano sete rapazes e sete donzelas, todos virgens para serem devorados pelo Minotauro.

Um desses jovens, em determinado ano, era Teseu, herói ateniense. Filho da princesa Etra, seu pai era, na verdade, Posêidon e Egeu, rei de Atenas, o pai adotivo. Esse jovem estava destinado a enfrentar o Minotauro para resgatar a liberdade de Atenas. Criou-se em Trezena sob os cuidados do avô materno Piteu. Tornou-se um jovem sábio, forte e prudente, que sem dificuldade recuperou a espada e as sandálias escondidas por Egeu. Somente depois de resgatar estes objetos o pai reconheceria o filho como seu herdeiro e sucessor. A fama de sua coragem chegou à Ática, porém jamais começava uma luta, mas jamais fugia ou castigava duramente seus opositores.

Ao chegar a Creta Teseu é auxiliado por Afrodite, que faz com que Ariadne, filha de Minos, ao apaixonar-se por ele, lhe presenteie com um novelo de fios para orientá-lo de volta à saída do labirinto.(...) Teseu casaria com Ariadne, que condicionara assim seu apoio ao herói. O herói seguiu o fio, enfrentou a fera, matou-a e saiu do labirinto vitorioso. Após, partiu com Ariadne para Atenas, porém no caminho abandonou a princesa na Ilha de Naxos. Egeu, ansioso, esperava o filho no alto da Acrópole, caiu no mar (hoje Mar Egeu) julgando que o filho morrera, pois Teseu esquecera de trocar a vela negra pela vela branca ao chegar a Atenas, conforme havia prometido.

Com a morte de Egeu tornou-se rei de Atenas. Seu governo trouxe paz e prosperidade ao reino. Foi o primeiro rei a cunhar moedas, gravando nelas a imagem de um touro. Resolveu seguir seu caminho de lutas e conquistas sem perceber que o que o movia era na verdade a busca do sagrado que ele confundia com seu desejo material.

Distanciou-se de sua centelha divina tentando resgatá-la fora de si mesmo, quando deveria ter ido em busca do auto conhecimento, porque é lá que está o divino. Teve Hipólito com a rainha das Amazonas, Antíope, e dois filhos com Fedra, também filha de Minos, com a qual casou-se para manter a aliança com Creta. Hipólito mandou erigir um templo à Artemis. Afrodite sentindo-se desprestigiada fez com que Fedra se apaixonasse pelo enteado, o que resultou em tragédia para Teseu e o filho. A pedido do pai Hipolito é castigado injustamente por Poseidon e morre. Teseu desorientado refugia-se em Ciros e morre quando o rei Licomedes, que havia se apropriado de suas terras, o empurra de um precipício.

Aspectos psicológicos do mito

- O touro representa as paixões sensoriais que deverão ser superadas no processo de crescimento;
- Minos é o símbolo da cobiça e do poder material; Transformou um acontecimento público em ganho pessoal demonstrando ambição e apego;
- O desejo é uma força dominante em Touro, seja por comida, bebida, satisfação sexual, dinheiro, status etc. Obcecado, nada poderá detê-lo;
- Existe um conflito básico entre o lado humano e heróico (Teseu) e o lado com o seu apetite voraz (Minos);
- Armas que possibilitam a vitória: franqueza e a pureza;
- Inclinação poderosa a ganhos materiais através de táticas femininas de sedução;
- Imagem masculina passiva mas sedenta de poder;
- Imagem feminina altamente sedutora, geradora de cobiça no homem;
- O herói trata de recuperar o que garantiria seu futuro; Os taurinos são pacíficos e não costumam provocar brigas;
- O fio de Ariadne significa planejamento e objetividade, o labirinto, o inconsciente e as emoções humanas; Touro precisa de um guia para enfrentar seus desafios;

3. O touro Ferdinando


“Nascido gordo, forte e bonito, Ferdinando destinava-se a ser feroz e reprodutor. No entanto, era uma criatura adorável, que passava seu tempo cheirando flores, ouvindo os pássaros, sentindo a brisa. Não fazia nada, contentando-se com pouco e sentindo-se em casa no meio das pastagens. Manso como uma vaca, pastava e engordava, não usando todo seu potencial para desespero do dono da fazenda. Até que um dia, passeando no campo florido, sentou-se para cheirar as flores. Numa delas havia uma abelha que picou Ferdinando nos genitais, rompeu sua placidez e o pôs a correr campo afora, derrubando cercas e fazendo com que usasse, afinal, seu potencial represado.”


Aspectos psicológicos do mito


- O taurino costuma ser passivo, tranqüilo, bonito e quer viver a sua vida pacatamente;
- A abelha pode ser uma pessoa ou um acontecimento significativo; ela representa a sombra, o signo oposto e complementar, responsável pelas grandes transformações;
- Um dia o taurino encontra a sua abelha que o tirará da pasmaceira e o fará utilizar todo seu potencial;
2. OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO


SIGNO DE ÁRIES


Áries é o arquétipo que representa a energia vital sem forma e sem controle. Tem a característica do elemento Fogo e uma qualidade Cardeal, o que o torna apaixonado por pessoas ou causas, impelido para os empreendimentos e conquistas. A raiva e a agressividade são formas como sua energia se apresenta e devem ser canalizadas construtivamente. Não teme o confronto e pode ser egoísta. Seu impulso o faz seguir em frente. Gosta de começar as coisas, mas nem sempre se dispõe a terminá-las. Prefere os inícios. Aborrece-se com facilidade e age primeiro, depois vai ver no que dá. Para ele a ação é fundamental. É regido por Marte, o deus romano da guerra, que tem suas origens em Ares, o deus guerreiro dos gregos.


1. Ares/Marte

O deus Marte tem suas origens no deus grego Ares. Ares é filho de Zeus, o grande senhor do Olimpo e de Hera, sua irmã e legítima esposa. Irmão de Hebe, que personificava a juventude eterna e Ilítia, a deusa dos partos difíceis. Corajoso, mas brutal, era atraído pelas guerras e campos de batalha. Seu instinto de destruição o transformou no mas temível dos deuses. Era sempre seguido por Éris, a Discórdia, Enio, a Devastadora, Limo, a Fome, Algos, a Dor e Lete, o Esquecimento.

Ares, detestado no Olimpo, até mesmo por seu pai e principalmente por Palas Atena, sua meia irmã, a virgem guerreira. Somente Afrodite, talvez por atração dos opostos, o amava. Apesar de casada com Hefestos, teve com Ares um caso apaixonado. Um dia Alétrio, sentinela que fazia a guarda para os amantes, adormeceu. Quando a manhã chegou, Hélio, o deus-sol, avistou os amantes e informou o fato ao marido de Afrodite. Hefesto, o deus-artesão, teceu uma rede invisível e com ela preparou uma armadilha. Os amantes foram pegos em flagrante e expostos à humilhação pública. Alétrio foi metamorfoseado em galo e obrigado a cantar todas as manhãs, avisando a chegada da aurora.

Com Afrodite Ares teve os filhos Fobos, o medo, Deimos, o Pavor e Harmonia. Fobos e Deimos passaram a acompanhar o pai nos campos de batalha. Ares teve outros filhos, todos sanguinários e violentos ou devotados a uma sorte funesta. Nas batalhas o deus não é devotado a justiça da causa que defende. Luta pelo prazer da luta, porém, quase nunca é vitorioso e quase sempre parece tolo. Seu habitat preferido era a Trácia, país selvagem, de clima rude, rico em cavalos e percorrido freqüentemente por povos sanguinários.

O deus era pouco venerado em Atenas. Por força do militarismo espartano, em Esparta e em Tebas o deus possuía templos. Constantemente derrotado por Átena e outros imortais, sua história parece refletir a essência do pensamento grego ou seja, a vitória da inteligência sobre a força bruta e descontrolada. Os romanos cultuavam o deus da guerra com o nome de Marte e era a divindade mais importante para eles. Pai de Rômulo e Remo os fundadores de Roma, Marte era, inicialmente uma deus agrícola associado às tempestades. Depois, tornou-se um protetor das lutas e conquistas principalmente durante a expansão do Império Romano. Os romanos o descreviam como um deus forte, brilhante e honrado pelos olímpicos, que defendia Roma dos ataques inimigos.





Aspectos psicológicos do mito:

- Ares não se incomodava com a rejeição que recebia do Olimpo. Os arianos costumam lidar com suas emoções de forma distanciada;
- Contam com sua própria força; refazem as energias em atividade;
- As reações são intensas e apaixonadas e requerem uma ação física imediata. O amor à vida; corajosos, vivem o aqui e agora;
- Dificuldade em se observar, em compreender as reações do outro ou do meio; daí o egoísmo;
- Necessidade da energia de seu oposto complementar, Libra, para aprender a ética, a partilha e o respeito;
- Segundo Lúcia Scavone “o padrão amoroso mais compatível com os arianos é o tipo de relação que havia entre Ares e Afrodite”;
- Sensuais, gostam de pessoas liberadas sexualmente e no amor, precisam sentirem-se apaixonados. Se ainda imaturos, sua sexualidade é instintiva e amoral;
- Não medem esforços no ato da conquista, nem medem as conseqüências de seus atos; podem nem considerar as reações do parceiro;
- Impacientes, simples e às vezes, ingênuos. A raiva e a força bruta os torna vulneráveis;
- Gostam de boas relações sexuais, um bom trabalho ou causa para se envolver, amigos para se divertir e uma família que lhes dê segurança e liberdade;
- Na psicologia, o simbolismo de Marte nos leva ao impulso sexo-agressivo de crescer e sobreviver no mundo, ao desenvolvimento da vontade e do estabelecimento de uma identidade de ego própria.

2. Jasão e a conquista do Velocino de Ouro

Jasão era filho de Esão e Polímede. Seu tio Pélias usurpou o Reino de Esão, Iolco. Assim que atingiu a idade necessária Jasão retorna do monte Pélion, onde esteve sendo iniciado e preparado por Quíron para um dia reconquistar e governar o reino que era de seu pai. No caminho, perde uma sandália ao auxiliar uma mulher velha a atravessar um rio. Pélias havia sido avisado por um Oráculo que um homem calçado apenas com uma sandália ameaçaria seu reinado.
Identificando Jasão desafiou-o a conquistar o Velocino de Ouro como prova para reassumir sua identidade e receber o trono, que lhe pertencia por direito de nascença. Jasão em resposta reuniu uma tripulação para a nave Argo (donde argonautas) e foi à Cólquida resgatar o Velo de Ouro.

Graças aos auxílios divinos de Afrodite e Palas Atena, Jasão chega à Cólquida, apaixona-se por Medéia e esta, feiticeira filha do Rei Aetes, sob o juramento sagrado do casamento (auxílio de Hera) fornece a Jasão os meios para adormecer o dragão que cuidava do bosque sagrado de Ares. Morto o dragão e conquistado o Velocino de Ouro, Jasão é ameaçado por Aetes, que aliara-se à Pélias, mas consegue escapar da Cólquida, levando consigo Medéia.

Retorna a Iolco e mais uma vez se defronta com o tio Pélias, que se nega a entregar-lhe o trono. Medéia irritada trama o assassinato de Pélias pelas próprias filhas deste. Jasão entrega o trono a Acasto, um dos companheiros do Argo e se exila em Corinto onde aceita a oferta do Rei Creonte e sem hesitação casa-se com Creusa, repudiando Medéia que, rejeitada e alucinada de paixão mata Creusa e Creonte, sacrifica suas próprias filhas no altar de Hera e deixa Jasão sob a maldição de morrer de forma violenta. A profecia se cumpre quando Jasão morre sob o peso de uma viga da nave Argo que lhe esmaga a cabeça.





Aspectos psicológicos do mito

- herança negada ou direito de nascença usurpado; aventura e heroicidade;
- conquista de sua identidade através de arriscadas empreitadas;
- tendência a se cansar, desgastar; Enérgicos/hiperativos;
- respostas imediatas e instintivas;(emotividade nem sempre manifesta);
- busca de sensações fortes na alegria ou nas provações;
- impulso de lançar-se em aventuras arriscadas para provar sua “masculinidade”; (capacidade assertiva); característica nuclear do ariano;
- dilema do enfrentamento do Pai Terrível que é ao mesmo tempo obstáculo e meio de crescimento dependendo da resposta ao desafio;
- infância vivida sob a tirania de um pai competitivo, excessivamente crítico ou incitando-o constantemente a provar sua competência masculina;
- as mulheres buscam companheiros que as impedem de adquirir sua própria independência;
- auxílio feminino que o auxilia na empreitada da conquista da identidade fortes paixões, característica desta anima feiticeira (Medéia) que luta masculinamente;
- ferir ou magoar quem mais o ajudou em suas conquistas;
- freqüente triangulação amorosa; resgate pessoas, idéias ou conceitos;
- visão de mãe apenas como uma serviçal compromete sua figura feminina interna ou auto-imagem no caso das meninas;
- a aspiração para conquistar o mundo e governá-lo, mesmo que abrindo mão da pureza simbolizada pelo Velo de Ouro, se necessário ferindo ou magoando quem mais o ajudou na conquista;
- a energia deve ser posta a serviço de um ideal de justiça;

3. As Amazonas


Eram filhas de Ares e da ninfa Harmonia. Fundaram sob a inspiração do pai e da deusa Ártemis, um reino belicoso, composto quase que exclusivamente por mulheres, que habitavam os píncaros do Cáucaso ou a Trácia e a Lídia. Tinham uma rainha e eram muito independentes. Os homens, que por ventura existissem em seu território, eram empregados em trabalhos servis. Para perpetuar e ampliar a comunidade, mantinham relações sexuais apenas com adventícios. Os filhos homens eram emasculados, mutilados, cegados, e empregados, quando não eliminados, em serviços inferiores.

Há vários mitos que relatam duros combates travados por heróis contra as filhas de Ares. O nono trabalho de Héracles, imposto por Euristeu, foi o de buscar o Cinturão de Hipólita, a rainha das Amazonas. Este emblema traduz a força e o poder de que está investido o seu portador. A deusa protetora das Amazonas era naturalmente Ártemis, a arqueira virgem, com quem as filhas do deus da guerra têm muito em comum, não só por seu desdém pelos homens, mas sobretudo por sua vocação de guerreiras e caçadoras. A elas se atribuía, por isso mesmo, a fundação da cidade de Éfeso e a construção do templo gigantesco e riquíssimo consagrado à irmã de Apolo. Diziam-se que as Amazonas amputavam o seio direito para melhor manejar o arco, deixando, às mais das vezes, o seio esquerdo descoberto. Fato, aliás, não confirmado pela iconografia, em que as Amazonas aparecem belas e de seios intactos.

O nome Amadzónes parece mesmo provir de uma tribo iraniana há-mazan, propriamente “guerreiros”. Usavam o escudo em forma de meia-lua e o machado duplo, símbolos da Grande-Mãe. (Junito Brandão)







Aspectos psicológicos do mito


- Os arianos não costumam medir esforços para conquistar seus objetivos;
- Para eles os fins justificam os meios;
- As mulheres são capazes de sacrificar as funções femininas como a amamentação, a maternidade e as lidas domésticas;
- Possuem capacidade de liderança e competem em pé de igualdade com os homens em eficiência e produção executiva;
- Em geral sabem viver sozinhos. A mãe ariana costuma ensinar às filhas o valor da educação e da independência;
- As Amazonas são a antítese do papel feminino representado pelas mulheres gregas. Simbolizam uma imagem da anima que não está disposta a lançar-se aos pés dos homens, que é auto-suficiente e independente dele;
- As Amazonas representam muitas das atitudes da mulher ariana que, na maioria das vezes, não é compreendida, assustando os homens mais tradicionais;
- Constantemente na vida dos arianos está a necessidade de servir com devoção, de usar positivamente a agressão, de criar autoridade interna e personalidade, para lidar responsavelmente no reino que habita;

MÓDULO II –O SEGREDO DOS ARQUÉTIPOS

1. DIVINDADES PRIMORDIAIS



Caos: personificação o vazio primordial, anterior à criação; energia que cinge a criação ordenada;
Érebo: a Morada das Sombras, a parte escura e não iluminada da Terra.
Nix: a noite, irmã de Érebo e filha de Caos.
Éter: a Luz dos Deuses; personifica o céu superior, onde a luz ‘’e mais pura.
Dia: a luz dos Mortais.
Géia (Gaia): a Grande Mãe Terra, a primeira realidade sólida, o princípio de toda Criação. Deu à luz Urano, Montes e Pontos, personificação do mar. Mãe dos Titãs, das Titânidas, Cíclopes e Hecatonquiros.
Ponto: o mar
Urano: o céu estrelado, um companheiro que cobria Gaia todos os dias.
Eros: uma poderosa força primitiva: o amor universal. O deus do amor. Assim, a união de Gaia e Urano foi provocada por esta energia básica e universal. E do casamento do céu e da terra nasceu a raça humana.
Cíclopes: criaturas gigantes, selvagens e disformes, com um olho só;
Hecatônquiros: monstros de cem braços. As primeiras formas, pouco evoluídas, distanciavam-se ainda das características humanas. Filhos de Géia e Úrano.
Titãs e as Titânias: forças violentas que povoaram o mundo e iniciaram a longa e penosa história.
Têmis: a Justiça. Sua tarefa era manter o equilíbrio eterno do mundo.
Mnemósine: a Memória Universal, a lembrança conservada tanto nos monumentos quanto na alma dos homens.
Tétis: a Alma Feminina do Mar, que uniu-se a seu irmão o titã Oceano.
Oceano: Titã que junto com Tétis gerou 3000 filhos - todos os rios do mundo.
Hipérion: Titã, aquele que vive nas alturas, casou-se com a titânida Téia.
Téia: a Divina, junto com Hipérion gerou Hélio, Selene e Éos.
Hélio: o Sol.
Selene: a Lua.
Eos: a Aurora.
Jápeto: titã casado com Clímene: tiveram quatro filhos infortunados, cuja glória foi alcançada através de imensos sacrifícios: Atlas, Prometeu, Epimeteu e Menécio.
Atlas:o gigante condenado a carregar o mundo nos ombros.
Prometeu: desafiou os deuses roubando-lhes o fogo para iluminar os homens.
Epimeteu: irmão gêmeo de Prometeu que o auxiliou.
Menécio: ousado guerreiro que enfrentou Zeus.
Crono: conhecido, pelos romanos como Saturno. Deus do Tempo, que tudo regula, comanda e devora, sem piedade ou apego. Construía o futuro. Lento, revolucionava a natureza, de forma constante, às vezes quase imperceptível. Filho de Úrano e Géia. Sobrepôs-se ao seu próprio pai, alterando o palco da vida, criando uma Nova Ordem, fundando uma Nova Era. Pai de Héstia, Deméter, Hera, Hades, Poseidon e Zeus.
Réia: irmã e esposa com quem Crono teve seus filhos.
8. OS MITOS DO DESTINO

Os deuses gregos não são propriedades exclusivas de nenhuma escola esotérica, doutrina religiosa ou seita espiritual. O conhecimento de nossa própria ambivalência apenas recentemente começou a ser restabelecido por meio da moderna psicologia, que inevitavelmente retorna aos deuses pagãos para compreender o comportamento humano. A mitologia grega é um exemplo vivo da eternidade e sofisticação da essência do homem.8

Os gregos chamavam Moiras ou Parcas as três senhoras do Destino. Segundo a mitologia grega, a roda da vida era a roda de fiar que ficava sob o poder das Moiras, deusas do destino. As Moiras são filhas da Mãe Noite, concebidas sem pai. Clotó era a fiandeira, aquela que dava a vida; Láquesis, a medidora, tecia, ou seja, concedia o desenrolar da vida e Átropos, cujo nome significa aquela que não pode ser evitada, a cortadora, cortava o fio da vida. As três teciam o fio da vida dos homens na escuridão de sua gruta e seu trabalho não poderia ser desfeito por nenhum outro deus, nem mesmo pelo poderoso Zeus. A partir do momento em que o destino do homem estava tecido, nada mais poderia alterá-lo.

A duração da vida e o momento da morte faziam parte da quota que as Moiras atribuíam a cada indivíduo. O indivíduo, quase sempre um herói - não poderia fugir de seu destino e seria punido pelos deuses com veemência se tentasse ultrapassar os limites estabelecidos pelas Moiras.

No nível psicológico, as três Moiras configuram a misteriosa e insofismável lei que atua dentro do indivíduo. É essa mesma lei desconhecida e invisível que determina as súbitas mudanças e que, por sua vez, altera os padrões preestabelecidos da vida. Toda vez que a vida muda não paramos para pensar... simplesmente nos preocupamos com nossas próprias reações a tais mudanças ... em vez de reconhecer a presença de uma força maior em ação.8

Essas figuras tão antigas estão dentro de nós... Só nos damos conta delas através dos efeitos externos, que denominamos destino... O destino não vem ao nosso encontro, mas, na verdade, nós vamos ao encontro dele. Até mesmo o espírito está sujeito aos comandos desse centro invisível que os gregos chamaram de Moiras, que nos fazem cair de nossos pedestais, destituindo-nos do suposto controle sobre nós mesmos.8

Hades/Plutão- Chamado de O Invisível e de Plutão, que significa riquezas, Hades era filho de Cronos e Rea. Recebeu do irmão Zeus o reino das trevas como herança. Quando vinha à superfície seu elmo o tornava invisível e suas leis eram irrevogáveis. Aquele que adentrava em seu reino não sairia jamais dali e os que o conseguiram não voltaram ao mundo da luz da mesma maneira, pois algo os transformava. O Senhor da Morte é a configuração definitiva de um ciclo de vida. Hades é o símbolo daquilo que experimentamos em todos os finais: o luto, a dor, a experiência da submissão voluntária às leis invisíveis da psique - a decisão de abrir mão de algo na esperança de que uma nova fase possa surgir. Estágio intermediário em que somos colocados face à face com a total irrevogabilidade de nossa perda. O início de algo novo, mas também a morte de uma antiga forma de vida, assim a perda deve ser reconhecida e lamentada tal como na lenda sumeriana de Innanna. Vamos despidos para as trevas, pois não podemos levar conosco os antigos padrões de comportamentos e posturas que nos davam segurança.

Pela mente grega, a sabedoria obtida pelo encontro com Moira, deve ser encontrada no desespero e na depressão, na inutilidade e na morte. Essa face vingadora de Moira parece ter um pouco a ver com Plutão. A lei de Plutão não é feita de regras sociais e jurídicas visando o bem estar da sociedade civilizada. Os pecados punidos por ele são os da hubrys, palavra que significa alguma coisa que tem a ver com arrogância, audácia, falta de humildade aos deuses e, consequentemente um fim trágico.



No reino de Plutão, o Tártaro, vemos personagens atormentados. Há sempre pedras, rodas, círculos fechados em torno dos humanos (tais como os anéis de casamento, coroas de louro e coroas funerárias) refletindo a irrevogável roda do destino, seja para o bem ou para o mal, tal como a ação de Plutão.

Quando alguém tenta ultrapassar os próprios limites permitidos e ir contra a ordem natural das coisas cumpre seu destino heróico, mas é punido pelas Eríneas, que tem que estabelecer a ordem natural que estava sendo transgredida. Assim é a experiência do desejo frustrado, do desejar aquilo que nunca poderemos ter ou que só poderíamos ter mediante o sacrifício ou a morte de algo muito mais caro para nós. Com Plutão somos forçados a encarar nossas compulsões e paixões insaciáveis, a escuridão, a crueldade, a obsessão. Plutão só veio à superfície da terra em duas ocasiões: por motivo de saúde, para curar-se de um ferimento, e por amor, para raptar Perséfone, o que atesta que estes dois setores da vida humana são ideais para as manifestações do destino.

Nada em excesso (nem mesmo a auto-perfeição) e conhece-te a ti mesmo, as frases escritas no pórtico do templo de Apolo em Delfos, eram as exigências que os deuses faziam aos homens. Plutão rege o lugar onde a vontade apenas não tem serventia. Ele é a imagem da nossa impotência, servidão, humilhação e violação. A aceitação sincera do que é imutável é o que determina a transformação no interior da psique. Não adiantam terapia, meditação, livros de auto-ajuda etc.

Inanna/Erishkigal – Esta lenda sumeriana parece ser um dos mais antigos mitos conhecidos, data de 3.000 a.C. Inanna é uma deusa do céu, alegre, gentil, iluminada. Quando fica sabendo que sua irmã Erishkigal, a Senhora da Grande Região Inferior, ficara viúva, resolve fazer-lhe uma visita. A irmã a trata do mesmo modo como eram tratadas todas as almas que chegavam ao seu reino. Há sete portais para se chegar ao submundo, e em cada um deles, Inanna deve tirar uma peça de roupa: sua túnica, seu vestido, suas jóias, até chegar ao ponto mais profundo do submundo completamente nua. Aí ela é forçada a se curvar diante da irmã, que não contente, então a mata e pendura seu corpo numa estaca para apodrecer. Mas, antes de descer ao mundo inferior, Inanna tinha prevenido sua escrava de que, se não voltasse em três dias, avisasse seu avô Enki. Assim fez a escrava e Enki então, moldou da sujeira de suas unhas, duas criaturinhas minúsculas, os Lamentadores, que poderiam entrar no mundo inferior sem serem notadas e sem precisar passar pelos portões. Erishkigal está grávida e sofrendo de dores do parto e também lastimosa pela morte do esposo. Ao chegarem perto de Erishigal, eles não a julgam nem a condenam, apenas choram e se lamentam com ela. Eles sabem da necessidade de salvar Inanna, mas sabem que, neste momento, têm que deixar Erishkigal dar vazão ao seu ódio e sua fúria. A deusa sombria está desolada e chora. – “Eu sou o pesar, o pesar está dentro de mim!” – e eles respondem: “Tu que choras, és a nossa rainha!”- Ela se lamenta: - “Sou o pesar, o pesar está fora de mim” – E eles respondem – “Tu és nossa rainha, nós te louvamos!” Comovida com o apoio dos lamentadores, a rainha promete lhes satisfazer qualquer desejo. Eles então pedem que ela restitua Inanna à vida. E assim é feito. Inanna então pode voltar ao seu reino celestial.

Os trânsitos de Plutão parecem ter esse efeito em nossas vidas – o de nos despojar de tudo com o que nos identificamos e que usamos para compor a nossa personalidade, até nos deixar nus e de joelhos, humilhados diante de um poder maior. A única postura possível diante deste poder é aceitar o que não pode ser mudado, e dar vazão à dor e ao sofrimento deixando-os fluir até se esgotarem. Somente desta forma poderemos emergir da crise para uma nova vida, com muito mais sabedoria.