2. OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO
SIGNO DE TOURO
Touro é o arquétipo que representa a energia vital adquirindo formas. Tem a característica do elemento Terra e uma qualidade Fixa, o que lhe dá uma ligação muito forte com o corpo físico e sua sustentação no plano material. A sensação é a função psíquica mais acentuada neste arquétipo. Através dela o taurino percebe as necessidades e motivações que o fazem sair da inércia e se dispor a usar sua potência. A sensorialidade é a energia que deve ser canalizada construtivamente. Touro gosta da boa comida, de uma boa vida sexual e de estabilidade. É avesso a mudanças. Vênus rege este signo sensual e artístico. Sua qualidade fixa pode torná-lo obstinado demais e teimoso. Pode perder sua qualidade espiritual se voltar-se demasiado para a vida material em sua ânsia pela satisfação dos prazeres e necessidade de segurança.
1. Afrodite
Afrodite teria sua origem em Astarté, deusa semítica das águas e da fecundidade. Para os fenícios tinha relação com Astério, o Minotauro de Creta e era chamada Astoreth. Astarté provém do grego – astaros – que significa “estrela”. No culto mitraico assumiu o símbolo da cabeça de touro com um disco entre os chifres. Na região do Egito era uma divindade relacionada com o princípio de atração-desejo, no sentido receptivo-passivo. Mais tarde Afrodite, a grega assume tanto as características quanto o ideograma da cruz sob o círculo, representando o espírito sobre a matéria. Vênus-Astarté é essencialmente natural e instintiva, cuja expressão afetiva é ainda ligada à sexualidade terrena animal, já Vênus-Afrodite assume o símbolo do afeto sensual e da feminilidade. É a deusa da beleza e do amor e sua relação com deuses e heróis criam vários mitos gregos. Vênus, a romana, portanto, teria surgido no céu já na época dos babilônios e junto coma Lua tornou-se o arquétipo da Grande Mãe, representando a expressão afetivo-sensual da mulher, enquanto a Lua representa a expressão materno-protetora.
Hesíodo, na Teogonia, a descreve como Anamediômene, “a que surge das ondas do mar”. Teria nascido do esperma de Urano quando Cronos decepara os testículos do pai, a fim de tomar-lhe o poder. Ao cair no mar, o esperma misturando-se à espuma, teria dado origem a Afrodite. Esta, ao nascer, foi levada pelo vento Zéfiro para Chipre (daí o epíteto de Citeréia e Cipris). Em Chipre a deusa foi acolhida pelas Horas que a vestiram e ornamentaram, conduzindo-a ao Olimpo. Na Ilíada, a deusa aparece como filha de Dione e Zeus, daí seu epíteto de Dionéia.
A deusa escolheu Pafos, na Ilha de Cipre, para sua morada e lá se encontram, até hoje, seus templos mais importantes. Em Roma era cultuada como Vênus, a deusa do Amor e da Beleza. Em tempos e lugares diferentes, era conhecida por diversos nomes. Na Suméria era Inana, na Babilônia, Isthar, na Périsa temos Anahita. Os cananeus, hebreus e fenícios cultuavam Astarte, no Egito temos Isis e na Lídia, Cibele.
Os estudiosos apontam para uma origem dupla no mito entre Afrodite Urânia, a celeste, inspiradora de um amor etéreo, superior e Afrodite Pandêmia, a popular, a vulgar, inspiradora, segundo Platão, de amores comuns, vulgares e carnais.
Casada com Hefesto, o deus dos nós, ferreiro e coxo, por imposição de Zeus, manteve com Ares um romance apaixonado, durante as prolongadas ausências do marido, que tinha suas forjas no monte Etna, na Sicília. O adultério, pego em flagrante, rendeu boas gargalhadas aos deuses, expondo Afrodite e Ares ao ridículo. Afrodite fugiu para Chipre e Ares para a Trácia.
Além de Ares, Afrodite teve numerosas paixões, como Adônis. A lenda conta que Mirra ou Esmirna foi castigada pela deusa por querer competir com ela em beleza. Assim, Mirra foi possuída por uma intensa paixão incestuosa pelo pai, Téias, o rei da Síria. Auxiliada pela aia, Mirra une-se ao pai durante doze noites. Quando Téias descobre quem é a parceira desconhecida fica horrorizado e persegue-a a fim de matá-la. Pedindo clemência aos deuses, Mirra é por eles auxiliada e transformada em uma árvore da qual, tempos depois, surgiu Adônis. Afrodite impressionada pela beleza da criança a recolhe e confia-a a Perséfone, que depois recusa-se a devolvê-la. Zeus resolve a questão e Adônis passa a viver oito meses junto a Afrodite e quatro junto a Perséfone. Segundo Junito Brandão, não se sabe o motivo pelo qual Ártemis lançara um javali contra Adônis, matando-o. Zeus, vendo o desespero de Afrodite transforma Adônis em uma anêmona. O mito prende-se aos ritos simbólicos da vegetação. Na Síria, as mulheres celebravam anualmente a entrada da primavera, lembrando a morte de Adônis, plantando mudas de roseiras em vasos e caixotes – eram os célebres Jardins de Adônis.
Com Anquises, o herói troiano, Afrodite teve Enéias. Com Hermes teve Hermafrodito, que transformou-se em um ser de natureza dupla, ao ser fundido com o corpo da ninfa Sálmacis. Hermafrodito pediu aos deuses que aquele que se banhasse nas águas da fonte onde ocorrera a fusão, perdesse a virilidade.
Da união de Afrodite com Dioniso, o deus do êxtase e do entusiasmo, nasceu Príapo. Existe a variante de que Zeus apaixonou-se e possuiu Afrodite, tão logo esta nasceu. Hera, por ciúme teria acertado um soco no ventre de Afrodite, motivo pelo qual Príapo nascera com um membro descomunal. A criança teria sido abandonada pela mãe, por medo do ridículo, em uma alta montanha, onde Príapo foi encontrado e criado pelos pastores.
A deusa, para satisfazer seus caprichos ou vingar-se, fazia do amor uma arma e um veneno mortal. Assim foi, que para proteger Jasão, fez Medéia amá-lo loucamente. Puniu o jovem Hipólito por este recusar-lhe o culto, preferindo cultuar Ártemis. Sua madrasta Fedra, apaixonada pelo enteado por inspiração da deusa, acusa-o, injustamente, de persegui-la e suicida-se. Não conseguindo provar sua inocência, Hipólito é mandado embora pelo pai. A deusa puniu também as mulheres da ilha de Lemnos que negaram-se a cultuá-la. Castigou-as com um odor insuportável, fazendo seus maridos trocarem-nas pelas escravas.
As Hierodulas, também conhecidas como prostitutas sagradas, estão ligadas a deusa Afrodite. “Estas verdadeiras sacerdotisas entregavam-se nos templos da deusa aos visitantes com o fito de promover e provocar a vegetação, além de arrecadar dinheiro para os próprios templos.”
“Afrodite é o símbolo das forças irrefreáveis da fecundidade...em função do desejo ardente que essas mesmas forças irresistíveis ateiam nas entranhas de todas as criaturas.” Junito Brandão.
Aspectos psicológicos do mito
- A ameaça ou perda daquilo que os taurinos acreditam possuir provoca reações emocionais intensas;
- Quando se sentem traídos usam suas armas contra o rival e não contra o amado. Quando feridos em seu orgulho e vaidade acionam o escorpião (sombra) e são capazes das mais cruéis armadilhas vingativas;
- Desperta a cobiça e o desejo dos homens ( e deuses) e a raiva, inveja e ciúmes das mulheres (e deusas);
- Os taurinos ou pessoas com Vênus muito acentuado parecem fazer jogos de sedução o tempo inteiro, o que gera conflitos e mal-entendidos;
- A deusa simboliza os aspectos da natureza feminina que se manifestam na matéria: beleza física, consciência corporal, capacidade de conectar emoções profundas com os vínculos;
- Os taurinos precisam primeiro da experiência concreta, onde aprendem utilizando os sentidos;
- Imagem da igualdade sexual, preocupação com a alegria conjugal, fertilidade e êxtase;
- Afrodite/Hefestos representa a união do feminino, sedutor e belo com o masculino, criativo e engenhoso;
- O trabalho criativo nasce de um envolvimento intenso e apaixonado. Para os taurinos, um processo sensual envolvendo o toque, o som, o visual, o cheiro e o gosto. Vênus e Touro regem as experiências sensoriais;
- Afrodite/Perséfone: o lado escorpiônico do taurino; Perdas, mortes e abandono são também vivências taurinas. É do domínio da deusa uma profunda aceitação que o amor apaixonado não dura para sempre;
- Vive as emoções mais profundas sem reprimir a dor;
- Amar e ser amada no momento em que o amor acontece, sem se preocupar com a continuidade. A permanência pertence ao mundo de Hera.
- Os taurinos tem mais dificuldade de finalizar seus casos amorosos pois temem a perda da segurança; Os venusianos são capazes de se apaixonar com facilidade acreditando que – desta vez – encontrarão o par ideal (libra);
- O comportamento deixa atrás de si uma série de ex que se sentem usados e descartados;
- O taurino precisa viver suas relações primeiro no plano físico e deste evoluir para o emocional; seu grande instrumento é o amor que pode mudar radicalmente sua calma e rotineira vida;
2. O Minotauro/Teseu
Sob a forma de um touro branco Zeus raptou Europa. Dessa união nasceram Minos, Sarpédon e Radamanto. Europa casou-se com Astério, rei de Creta, que adotou os filhos do deus. Após a morte do pai adotivo, Minos proclamou-se rei de Creta e expulsou os irmãos.
Conquistador de outras ilhas e de regiões do continente, Minos certa vez solicitou o apoio de Posêidon, o deus grego dos mares e dos terremotos, mais tarde denominado Netuno pelos romanos, para enfrentar os próprios irmãos na defesa do trono, pedindo-lhe que mandasse das profundezas oceânicas um touro sagrado como sinal de seu direito divino ao trono. E mais: prometeu que tal animal seria imediatamente sacrificado no altar do deus, assim que fosse vitorioso no embate político.
Mas o animal era de tal beleza que Minos, por influência direta de Pasifae, sua esposa, esqueceu-se da promessa e após a vitória guardou-o entre os próprios rebanhos, sacrificando outro animal no altar do deus. Posêidon, irritado com o comportamento desonesto e injusto do rei, solicitou a Afrodite que fizesse Pasífae ter uma irresistível paixão física pelo touro sagrado. Esta, movida por um desejo incontrolável usou como disfarce uma vaca de madeira construída por Dédalo, o arquiteto do reino. E da união dos dois nasceu o Minotauro, com corpo de homem e cabeça de touro, símbolo da perversão de Minos.
Horrorizado com tal criatura, gerada por sua própria esposa, Minos incumbiu o artesão Dédalo de construir um labirinto para encarcerar o Minotauro ocultando-o dos olhos dos homens. O alimento da fera era obtido através de uma dívida de guerra de Atenas com Creta. Minos impôs como condição de rendição a Atenas que essa cidade helênica lhe enviasse todo ano sete rapazes e sete donzelas, todos virgens para serem devorados pelo Minotauro.
Um desses jovens, em determinado ano, era Teseu, herói ateniense. Filho da princesa Etra, seu pai era, na verdade, Posêidon e Egeu, rei de Atenas, o pai adotivo. Esse jovem estava destinado a enfrentar o Minotauro para resgatar a liberdade de Atenas. Criou-se em Trezena sob os cuidados do avô materno Piteu. Tornou-se um jovem sábio, forte e prudente, que sem dificuldade recuperou a espada e as sandálias escondidas por Egeu. Somente depois de resgatar estes objetos o pai reconheceria o filho como seu herdeiro e sucessor. A fama de sua coragem chegou à Ática, porém jamais começava uma luta, mas jamais fugia ou castigava duramente seus opositores.
Ao chegar a Creta Teseu é auxiliado por Afrodite, que faz com que Ariadne, filha de Minos, ao apaixonar-se por ele, lhe presenteie com um novelo de fios para orientá-lo de volta à saída do labirinto.(...) Teseu casaria com Ariadne, que condicionara assim seu apoio ao herói. O herói seguiu o fio, enfrentou a fera, matou-a e saiu do labirinto vitorioso. Após, partiu com Ariadne para Atenas, porém no caminho abandonou a princesa na Ilha de Naxos. Egeu, ansioso, esperava o filho no alto da Acrópole, caiu no mar (hoje Mar Egeu) julgando que o filho morrera, pois Teseu esquecera de trocar a vela negra pela vela branca ao chegar a Atenas, conforme havia prometido.
Com a morte de Egeu tornou-se rei de Atenas. Seu governo trouxe paz e prosperidade ao reino. Foi o primeiro rei a cunhar moedas, gravando nelas a imagem de um touro. Resolveu seguir seu caminho de lutas e conquistas sem perceber que o que o movia era na verdade a busca do sagrado que ele confundia com seu desejo material.
Distanciou-se de sua centelha divina tentando resgatá-la fora de si mesmo, quando deveria ter ido em busca do auto conhecimento, porque é lá que está o divino. Teve Hipólito com a rainha das Amazonas, Antíope, e dois filhos com Fedra, também filha de Minos, com a qual casou-se para manter a aliança com Creta. Hipólito mandou erigir um templo à Artemis. Afrodite sentindo-se desprestigiada fez com que Fedra se apaixonasse pelo enteado, o que resultou em tragédia para Teseu e o filho. A pedido do pai Hipolito é castigado injustamente por Poseidon e morre. Teseu desorientado refugia-se em Ciros e morre quando o rei Licomedes, que havia se apropriado de suas terras, o empurra de um precipício.
Aspectos psicológicos do mito
- O touro representa as paixões sensoriais que deverão ser superadas no processo de crescimento;
- Minos é o símbolo da cobiça e do poder material; Transformou um acontecimento público em ganho pessoal demonstrando ambição e apego;
- O desejo é uma força dominante em Touro, seja por comida, bebida, satisfação sexual, dinheiro, status etc. Obcecado, nada poderá detê-lo;
- Existe um conflito básico entre o lado humano e heróico (Teseu) e o lado com o seu apetite voraz (Minos);
- Armas que possibilitam a vitória: franqueza e a pureza;
- Inclinação poderosa a ganhos materiais através de táticas femininas de sedução;
- Imagem masculina passiva mas sedenta de poder;
- Imagem feminina altamente sedutora, geradora de cobiça no homem;
- O herói trata de recuperar o que garantiria seu futuro; Os taurinos são pacíficos e não costumam provocar brigas;
- O fio de Ariadne significa planejamento e objetividade, o labirinto, o inconsciente e as emoções humanas; Touro precisa de um guia para enfrentar seus desafios;
3. O touro Ferdinando
“Nascido gordo, forte e bonito, Ferdinando destinava-se a ser feroz e reprodutor. No entanto, era uma criatura adorável, que passava seu tempo cheirando flores, ouvindo os pássaros, sentindo a brisa. Não fazia nada, contentando-se com pouco e sentindo-se em casa no meio das pastagens. Manso como uma vaca, pastava e engordava, não usando todo seu potencial para desespero do dono da fazenda. Até que um dia, passeando no campo florido, sentou-se para cheirar as flores. Numa delas havia uma abelha que picou Ferdinando nos genitais, rompeu sua placidez e o pôs a correr campo afora, derrubando cercas e fazendo com que usasse, afinal, seu potencial represado.”
Aspectos psicológicos do mito
- O taurino costuma ser passivo, tranqüilo, bonito e quer viver a sua vida pacatamente;
- A abelha pode ser uma pessoa ou um acontecimento significativo; ela representa a sombra, o signo oposto e complementar, responsável pelas grandes transformações;
- Um dia o taurino encontra a sua abelha que o tirará da pasmaceira e o fará utilizar todo seu potencial;
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