2. OS ARQUÉTIPOS DO ZODÍACO
SIGNO ESCORPIÃO
Em Escorpião chega-se ao esgotamento da energia em suas formas concretas a fim de transformar-se em um segundo nascimento no plano metafísico. Morrer como um “eu” isolado para renascer como “nós”. É um signo de Água, de modalidade Fixa, regido por Plutão. Os temas de Escorpião referem-se às paixões, aos instintos, à sombra, que devem vir à tona, para que o homem se purifique, regenere e renasça. Sexo, morte, violência, poder e riqueza estão relacionados com as experiências que, através do sofrimento, levarão à transformação do ser, preparando-o para a busca espiritual. A energia bem canalizada de Escorpião gera indivíduos criativos na psiquiatria, psicanálise, nas ciências investigativas ou ocultas. Consciente das forças desconhecidas que dormem nas profundezas do ser, o indivíduo não mais estará a sua mercê.
1. Órion
Filho do deus Posêidon, Órion era um gigante como aliás, outros heróis: Hércules, Teseu, Aquiles e Aristômaco, entre outros. Dado o seu imenso apetite sexual, tentou um dia violar a própria deusa Ártemis, a deusa da guerra e da caça, e virgem eterna, filha de Zeus e Leto. A deusa, para castigá-lo, mandou um escorpião gigantesco morder-lhe o calcanhar, matando-o instantaneamente. Pelo serviço prestado a Ártemis, o escorpião foi transformado em constelação e passou a simbolizar a raiva da mulher por ter sido ameaçada de estupro (acontecimento não muito raro entre as escorpianas, mesmo que nas formas mais brandas) ou, em outros casos, por ter tido sua oferta afetiva e sexual rejeitada.
Aspectos psicológicos do mito
- O escorpião simboliza os processos inconscientes da mente profunda, dedicados a manter ativas as funções corporais mais básicas de sobrevivência e reprodução;
- O confronto entre o mundo instintivo e o mundo espiritual parece ser cíclico na vida dos escorpianos.
2. Perseu e a Medusa
Perseu era filho de Zeus e Dânae; Encerrado por seu avô Acrísio numa arca de madeira junto com a mãe e largado ao mar, pois uma profecia afirmava que esse menino destronaria o velho rei, foi dar às costas da ilha Sérifo, governada pelo tirano Polidectes, encontrado e criado por Dictis, um pescador muito humilde. Cresceu e tornou-se forte e belo, nunca se afastando da mãe, guardando-a contra todas as investidas de Polidectes.
Durante um jantar na casa do rei, fez a promessa inconseqüente de trazer-lhe a cabeça da Medusa. Aproveitando-se disso, Polidectes ameaça violentar Dânae, caso a promessa não fosse cumprida.Perseu recebe ajuda de Hermes e de Palas Atena para chegar às Górgonas e descobrir o esconderijo da medusa: esse monstro tinha cobras como cabelos, presas de javali, mãos de bronze e asas de ouro, petrificando com o olhar quem dela se aproximasse.Ficara assim por obra e castigo de Palas Atena, pois quando ainda era uma linda mulher violara um templo da deusa ao deitar nele com Posêidon. E desde então escondera-se de todos.
As Górgonas eram um lugar de sombras onde nunca chegava um raio de sol. Primeiro teve que passar pelas três Gréias, entidades semidivinas e roubar-lhes o único olho e o único dente que possuiam e do qual se serviam alternadamente. Enquanto uma vigiava as outras dormiam, enquanto uma comia as outras esperavam a vez. Propondo a troca do olho e do dente conseguiu que elas lhe indicassem o caminho das Ninfas. Estas então lhe entregaram as sandálias aladas de Hermes para voar acima das Górgonas, uma bolsa mágica para guardar a cabeça decepada e o capacete de Hades para lhe dar invisibilidade. Encontrando Hermes e Palas Atena recebeu uma espada mágica para degolar a Medusa e um escudo polido capaz de refletir a imagem da mesma, a fim de ela não o olhasse diretamente, petrificando-o. Com estes apetrechos consegiu o seu intento. Do pescoço cortado da Medusa nasceu Pégaso, o cavalo alado, filho de Posêidon, incapacitado de nascer devido à raiva da mãe. Montado em Pégaso voou para o Oriente, passando pela Etiópia e se apaixonou por Andrômeda, filha do Rei, que deveria ser sacrificada para que outro monstro enviado por Posêidon deixasse de assolar o reino. Perseu matou o monstro com as mesmas armas que haviam derrotado a Medusa
Ao chegar a Sérifo, Perseu soube que na sua ausência Polidectes tentara violentar Dânae. Enraivecido, petrificou o rei e toda sua corte, expondo-os à cabeça cortada de Medusa. A seguir, depois de entregar o trono ao pescador mais humilde que o criara, devolveu as sandálias aladas, o alforje e o capacete de Hades a Hermes, para que os restituísse às Ninfas, suas verdadeiras guardiãs, e retornou à sua terra natal, juntamente com Andrômeda.
Aspectos psicológicos do mito
- perda emocional sofrida pela família antes do seu nascimento;
- atenção mínima necessária à sobrevivência física da criança;
- deixar de se submeter à mãe ou imitá-la, aliviando assim sua imensa raiva pela sensação de rejeição e que não consegue encarar;
- enfrentar o monstro “culpa raivosa”e “mágoa ressentida”- com inteligência e coragem e não com raiva e paixões fortes;
- Confronto entre a mãe pessoal e a mãe arquetípica: Dânae x Medusa;
- Alma interior contaminada pela raiva e amargura inconscientes da mãe, tornando-se um portador do ódio dela;
- O espelho significa a capacidade de reflexão sobre a raiva da Medusa;
- A Medusa é a imagem da escuridão interior e da destrutividade com que Escorpião tem de aprender a lutar, seja dentro de si ou no mundo exterior;
- A Medusa, por ser semidivina não pode ser eliminada ou destruída e sim transformada pela reflexão e pelo fogo: a luz da consciência;
- O cavalo alado é uma criatura terrena com o poder de ascender ao reino da espiritualidade e que jaz adormecido no seio do mais inferior;
- Com Escorpião temos a chance de libertar a energia usada para reprimir conteúdos inconscientes e utilizá-la de forma mais integrada e criativa;
- As Gréias são personificações das três Parcas, para simbolizar que o destino tinha que estar ao lado do herói.
3. Fausto
De acordo com o clássico de Goethe, fausto fez um pacto com o diabo: em troca da vida eterna, vivida como um momento de emoções “sem fim”, e do amor de Margarida, entregava sua alma a Mefistófeles; não conseguia admitir que Margarida, por quem tivera súbita paixão, o rejeitasse; mais ainda, pensava garantir dessa forma a eterna durabilidade de suas emoções, com o que negava a fluidez da própria vida.
Aspectos psicológicos do mito
- Atitude de cinismo maquiavélico que pode estar disfarçada num aparente otimismo, manifesta sua destrutividade através de eventos projetivos na vida da pessoa, que a expõem à própria Sombra;
- Suposição inconsciente de que a vida só vale à pena se “parar”, “congelada” num momento de felicidade ou de raiva, faz o escorpiano mostrar sua face possessiva e retentiva, que tantas vezes o incomoda em sua busca de afeto, busca essa vivida em momentos de forte sexualidade;
- Sua longa jornada entre a sexualidade e a espiritualidade tem como motivação o amor e é isto que o redime.
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