domingo, 7 de agosto de 2011

2. INTUIÇOES E SÍMBOLOS


Conforme o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, símbolo é aquilo que, por um princípio de analogia, representa ou substitui outra coisa. Para a psicologia são criações da alma que manifestam conteúdos internos mais complexos e que nos ajudam a traduzir em linguagem aquilo que sentimos dentro de nós. “É o homem que cria os símbolos; é o homem que os torna vivos e lhes atribui valor e significado, no plano da imaginação”.1 Nas palavras de Christine Valentine - Imagens e símbolos são a linguagem natural da psique e exercem um impacto emocional tal, que pode nos despertar para uma nova vida -. O raio, por exemplo, é símbolo da vontade e da ira divina desde tempos remotos, assim como o ramo de oliveira exprime a pacificação e a concórdia.

O símbolo só é verdadeiramente apreendido pela intuição que é capaz de perceber uma situação como um todo. Para C.G.Jung “Intuição é um tipo de apreensão instintiva, independente da natureza de seu conteúdo...” que Rudhyar define como “percepção holística ou consciência de si mesmo”. É uma faculdade que nos possibilita ter consciência da totalidade (Self). A certeza derivada de compreensões intuitivas não é do mesmo tipo daquela que deriva de proposições matemáticas simples. Talvez ela possa ser explicada como identificações súbitas de qualidades mantidas no inconsciente. Todas as intuições se baseiam em símbolos. O homem moderno usa sua mente analítica e não vê pessoas e situações como totalidades. Essa visão racional e separatista deixou-o desligado de sua fonte, sem condições de confiar em suas raízes.3

Segundo Dane Rudhyar, a Astrologia... “não é a somatória da psicologia antiga. Primeiro, porque se refere a muitas coisas além da psicologia... Segundo, porque, a Astrologia em sua essência não é para ser identificada com nenhuma ciência empírica ou experimental, mas na verdade é o princípio organizador das ciências que lidam com a vida... tal como a matemática é o princípio organizador de ciências que lidam com matéria inanimada..”. Para ele a Astrologia se baseia numa dessas compreensões intuitivas identificando “ordem” e “os movimentos celestes dos astros”. A qualidade conceitual de “ordem” estava latente no inconsciente, resultado psicológico da ânsia de encontrar uma compensação para o aparente caos da existência cotidiana. O homem observou que havia uma regularidade notável nos movimentos do sol, da lua, das estrelas. O fator psicológico interno (ordem) e a percepção externa (organização) apareceram de algum modo como idênticos. O fator externo tornou-se símbolo do fator interno.3

Para Dane Rudyar a astrologia... é uma arte de interpretação da vida, e nos fornece uma técnica para o desenvolvimento e a realização da “personalidade”. Seu objetivo é transformar a natureza humana caótica num microcosmo.

Interpretando ou lendo o horóscopo de nascimento e a sua evolução, nada mais se faz a não ser ativar no homem as correspondentes imagens primordiais dos planetas com suas atribuições, desencadeando assim energias, emoções e significados que se enquadram na vida psíquica e determinam o fato psicológico. Os símbolos astrológicos são, portanto, projeções de imagens e de mitos interiores ao homem, lançados pelo inconsciente em direção ao céu. Os símbolos astrológicos, assim, não são de forma alguma causais ou deterministas e no seu discurso não existe de forma alguma uma relação de causa e efeito. Existe a realidade segundo a qual cada homem, no momento de nascer, é “enquadrado” em uma determinada configuração astral e essa configuração é como que fotografada na psique inconsciente sob a forma de mensagem ou memória arquetípica. 1

Nenhum comentário:

Postar um comentário